Elas são nossas guias desde o momento em que choramos pela 1ª vez e torcem para que sejamos felizes, a todo momento, a vida toda

Quando falamos das nossas mães, é difícil o sorriso não saltar no rosto. Nos lembramos dos carinhos nos momentos de tristeza, das broncas no auge das sapequices, dos abraços quando as conquistas eram alcançadas, do adeus quando chegava a hora de seguirmos em frente sem as suas sabedorias como apoio.
E como será que elas se lembram desses momentos? Como foi quando nascemos? Como nos enxergam crescendo? Quais são os principais valores que elas desejam que a gente carregue? Pois é… muitas vezes, na correria de tentar viver da melhor forma possível, nos esquecemos que uma das maiores riquezas que podemos guardar é todo o tempo e a atenção que elas nos doaram. É claro que cada uma tem o seu perfil, o seu jeitinho único de fazer cafuné, de guardar um segredo, de chorar, de sorrir: cada uma tem o seu jeito de ser mãe.
Com a intenção de homenagear todas as mulheres que vivem essa experiência, convidamos mães para registrar algumas passagens e dicas que podem inspirar as leitoras que já fazem parte desse grupo ou que, um dia, pretendem fazer.

Parabéns a todas as mamães!

A administradora Ana Geib está grávida de 6 meses do Raphael | Débora Pitanguy/divulgação

“Esperar um bebê é sonhar acordada. É a prova que Deus existe!”

A maternidade por Ana Geib
Amor: esperança
Beleza: sonho
Conquista: a minha gravidez
Educação: herança
Família: base de tudo
Fé: proteção
Nascimento: ansiedade
Responsabilidade: total mudança de vida
Superação: prova de Deus
Tempo livre: organizando a chegada do bebê

Zumm Ribeirão: Antes do Raphael, você já havia engravidado. É isso mesmo?
Ana Geib: Sim, fiquei grávida pela 1ª vez por 11 semanas e, infelizmente, acabei perdendo o bebê. No entanto, 20 dias depois, engravidei novamente, sem saber, e continuei com os mesmos sintomas de perda. Achava que estava com gravidez psicológica.

ZR: E como descobriu que uma nova vidinha estava crescendo dentro de você?
AG: Eu desmaiei e meu marido me levou para o hospital. Me examinaram e disseram que era gravidez. Porém, fizemos um exame de sangue que deu negativo. Segui minha vida, como se nada estivesse acontecendo. Fui viajar, voltei e nada dos sintomas passarem. Daí fiz um exame de farmácia e deu positivo. Fui para um ultrassom e lá estava o meu bebê. Os exames detectaram uma escamação no útero e o médico que me atendeu disse para não criar expectativas porque eu ia perder esse feto também, na realidade as palavras dele foram: “É só esperar esse sair também”.

ZR: Como você lidou com isso?
AG:
Eu apenas segui em frente. Quando completei 16 semanas, fiz todos os exames necessários relacionados a gravidez, por conta própria, e a escamação não existia mais. Só então comecei meu pré-natal.

ZR: Você já tinha esse sonho de ser mãe?
AG: Não exatamente. Pensava muito na minha profissão. Já o meu marido sempre comentou que queria. Nós ficamos casados 6 anos antes de engravidar, nossa vida sempre foi muito agitada. Ele foi me convencendo e decidi que queria ter.

ZR: Você pretende criar seu filho da mesma forma que foi criada?
AG:
Sim. Meus pais são muito tradicionais e sempre desejaram que os filhos fossem exemplo. Pretendo seguir essa mesma linha com o meu filho. Quero que ele dê atenção aos estudos, curse uma faculdade, se comporte nos lugares. Acredito que dessa forma ele vai saber o que é respeitar o próximo.

ZR: A violência tem crescido muito. Como você se enxerga como uma mãe que está prestes a colocar um filho no mundo?
AG:
Enquanto eles são bebês e estão na segurança do nosso teto, é uma coisa. Depois que crescem e começam a sair, ir para a escola, a cultivar amizades, e correm o risco de sofrer algum tipo de violência, as coisas mudam.  Acho que se o nosso filho entender os valores que iremos passar, independentemente da forma que o mundo possa estar, ele seguirá por um bom caminho.

ZR: Como você lidou com a expectativa das famílias em relação a sua 1ª gravidez desde o início do casamento?
AG: Adotei 4 cachorros (risos). Acredito que tenha sido uma preparação, porque você aprende a não deixar nada perto do chão, o que pode ou não pode comer, que é preciso passar limites, a responsabilidade de levar no veterinário, no pet shop… é claro que de uma forma mais tranquila, comparada a um bebê, mas já é uma preparação.

ZR: Como está sendo dar uma pausa na vida profissional para se dedicar à gravidez?
AG: Quem não tem costume de ficar em casa todos os dias acaba se sentindo sozinha, principalmente nessa fase que ficamos mais sensíveis. Tem o fato de se sentir inútil também, por não poder fazer nada que exija tanto esforço. Quando ele tiver uns 2, 3 aninhos, eu pretendo voltar a minha vida de administradora.

ZR: Antes da chegada do bebê, como você está aproveitando para curtir seu marido?
AG: Nós sempre saímos muito para jantar, passear, reunir os amigos e mantivemos essa rotina. Não paramos de nos curtir e somos muito ligados! Tudo que fazemos, um pede a opinião do outro. Aproveitamos para ir ao cinema, comer alguma coisa…

ZR: E quais foram as grandes mudanças estruturais para a chegada do Raphael?
AG: Me mudei de um apartamento para uma casa, para ficar mais perto dos meus pais e ter mais espaço para todos. Minha mãe vai me ajudar a cuidar do bebê e minha irmã será a madrinha. Nossa família é muito grande e ligada. Todos estarão envolvidos nessa criação!

Janaina e Julia Bordon vestem Claudia Pinheiro. Os meninos, Ricardo e Filipe, usam looks PUC | Débora Pitanguy/divulgação

“Ser mãe é um presente para o resto da vida! É amor infinito!”

A maternidade por Janaina Bordon
Amor: família
Beleza: nascimento
Conquista: ser mãe
Educação: principal
Família: tudo
Fé: Deus
Nascimento: dádiva
Responsabilidade: dia a dia
Superação: estar presente
Tempo livre: ficarmos juntos

Zumm Ribeirão: Você se casou nova, não é mesmo?
Janaina Bordon: Sim, com 22 anos. O Marcelo (marido) já estava jogando na Alemanha e nos casamos para que pudesse ir com ele. Ele era louco para ser pai, mas eu queria esperar mais um pouco. No entanto, em 2002, veio a Julia, com uma gravidez super tranquila.

ZR: Depois disso vocês pensaram em ter outros?
JB:
Como veio a menina primeiro, meu marido queria muito um menino. Daí veio o Filipe, 3 anos depois.

ZR: E o Ricardo, seu caçula?
JB: Eu sempre digo que engravidar do Ricardo foi uma vontade de Deus. Eu havia colocado DIU (Dispositivo Intra-Uterino) e, não deu nem 1 mês, fiquei grávida. Na gestação dele estava com a tireoide alta, no entanto foi minha melhor gravidez. Tinha medo de realizar o parto na Alemanha, porque a Ju e o Filipe nós conseguimos programar para que nascessem aqui no Brasil. Nas primeiras gestações a gente tinha um pouco de medo, né? Lá era tudo novo, estava longe da família. Mas o Ricardo nasceu lá e foi um parto abençoado.

ZR: No minuto em que você pegou a Julia no colo, o que mudou em você?
JB: Quando nos tornamos mães, automaticamente ficamos mais maduras, enxergamos as coisas com outros olhos, pensamos mais neles que em nós mesmas! Se você sai de casa para comprar qualquer coisa, por exemplo, já fica pensando no que eles estão precisando ou o que gostariam de ganhar, e esquece as suas próprias vontades.

ZR: O diálogo é uma das bases da relação entre você e os seus filhos?
JB: Nós sempre conversamos e adoro a hora do almoço para isso. Sentamos juntos à mesa e nada de telefone! Eu e o Marcelo tentamos mostrar o melhor caminho, orientando, por mais que existam certas coisas que eles não queiram entender naquele momento. Batemos muito na tecla de Deus em nossas vidas. Eu acho que esse é o segredo, ensinar agora para que lá na frente eles tenham certeza do caminho a seguir.

ZR: Você se considerada uma supermãe?
JB: Olha, menina, o dia a dia é uma loucura! (risos). Faço tudo sozinha com eles, desde sempre, e eu gosto disso. Faço com muito amor! Não me arrependo de nada. Eu sei que tem gente que fala que é tempo perdido, mas eu não acho. Foi o tempo que eu tirei para, vê-los crescer, falar, andar… Eles fazem futebol, tênis, e eu e o Marcelo sempre levamos, buscamos, não importa o horário. Gosto de ter os amigos deles perto, porque na casa dos outros a gente não sabe o que pode acontecer.

ZR: É cansativo essa coisa de responsabilidade full-time?
JB:
É, mas eu adoro ser mãe! Aliás, acredito que para ser mãe tem que estar preparada! Colocar uma criança no mundo é fácil. Difícil é criar! Eu acho que o importante é pedir a Deus para que esse momento seja o mais certo, o mais abençoado. É um presente para o resto da vida. É um amor infinito!

ZR: Como é lidar com as diferenças de idade entre os seus filhos?
JB:
Cada um está vivendo uma fase, mas eu não tenho problema com isso. Eles sempre foram muito obedientes. Acho que a Ju, com 14 anos, que está em uma idade mais complicada, sem medo de nada, que acha que nada acontece. Com isso, a gente fica mais em cima. Para falar a verdade, ainda estranho o Brasil, com toda essa violência. Vivemos muito tempo fora e ainda tenho um pouco de medo.

ZR: Por qual motivo – ou um dos motivos que – você tem orgulho dos seus filhos?
JB: Em todos os lugares que nós vamos, as pessoas falam o quanto eles são comportados, educados. Isso é muito importante para mim. Eu acho que o respeito com as pessoas, independentemente do que a outra pessoa possa fazer com você, deve ser mantido. Essa serenidade é necessária. Não gosto da ideia de devolver na mesma moeda. Nós temos que ser a diferença nesse mundo, senão, não adianta nada.

ZR: Você é uma mãe “manteiga derretida” ou “braço de ferro”?
JB: Sou braço de ferro! (risos). Sou firme, gosto de tudo organizado! Temos que ensiná-los a andar sozinhos. Estou sempre em cima para que eles possam ser pessoas disciplinadas.

Anna Elisa e a assessora Joelma Fachini Marques. A mamãe veste VerDeFatto | Débora Pitanguy/divulgação

“Para ser mãe é preciso querer!”

A maternidade por Joelma Fachini Marques
Amor: espontâneo
Beleza: harmonia
Conquista: foco
Educação: exemplo
Família: tudo
Fé: imprescindível
Nascimento: alegria
Responsabilidade: importante
Superação: motivação
Tempo livre: viajar

Zumm Ribeirão: Quando o desejo de se tornar mãe surgiu na sua vida?
Joelma Fachini Marques: Como a maioria das mulheres de hoje em dia, fui estudar e cuidar da carreira. Quando realmente resolvi ser mãe, já engravidei! Aí veio a Anna Elisa.

ZR: E como foi conciliar a carreira como proprietária de uma assessoria de imprensa com a “profissão” mãe?
JFM: Foi corrido, porém deu tudo certo, devido à equipe incrível da Phábrica de Ideias (assessoria) que me deixou ser mãe. Quando estava com 7 meses de gestação, trabalhei no Carnabeirão, de 8 meses, no Ribeirão Rodeo Music, e no João Rock estava de 9 meses. Quando ela nasceu, ainda tinha a Festa do Peão de Barretos. Tirei os pontos da cesária e fui trabalhar. Só depois disso que consegui tirar a minha licença maternidade.

 ZR: Mas foi uma coisa que você levou tranquilamente?
JFM: Sim! Embora eu trabalhe muito, me preocupo em estar com ela. Até projeto isso nas meninas da Phábrica, ou seja, filho é prioridade e tem que ficar com a mãe! Eu acredito nisso! Somos uma empresa em que 80% são mulheres e muitas já têm filhos e outras estão planejando, então criamos esse universo.

ZR: Antes de ser mãe você idealizava a educação do seu futuro filho?
JFM: Sinto que sou uma pessoa melhor depois de me tornar mãe, pois acredito na educação por meio do exemplo. Se antes, na pressa, eu furava um sinal vermelho (risos), hoje não posso mais. A Anna Elisa percebe e questiona tudo. Mesmo aquelas mentirinhas brancas do dia a dia, como dizer para o vendedor de rua que está sem dinheiro naquele momento para não comprar o guardanapo… eu tenho que ser uma pessoa melhor para ela ser melhor!

ZR: O que mais você acredita que é imprescindível na educação?
JFM: Rotina. Acredito que ela oferece segurança para a criança, pois ela sabe o que vai acontecer, quais serão os próximos passos. E claro, a segurança familiar.

ZR: Você comentou que ela possui um paladar aguçado e que ama cozinhar…
JFM: É verdade! Estamos até trabalhando em um blog para ela. A Anna tem um paladar muito apurado para idade dela, pede alimentos diferentes, consegue sentir seus sabores, pede para experimentar coisas novas. Como ela ama minha comida e eu amo cozinhar o que ela gosta, a gente faz essa troca (risos) a aproveitamos para nos curtir.

ZR: O que mais admira na sua filhota?
JFM: Uma coisa que eu admiro muito nela, entre muitas (risos), é a generosidade que ela oferece naturalmente. Ela não tem apego às coisas materiais e eu também sou assim. Vira e mexe doo minhas coisas para caridade.

ZR: Você também faz parte do time que acredita que filho é para o mundo?
JFM: Trabalho muito esse pensamento. Na realidade, eu me educo diariamente! Porque, por mim, a Anna deveria estar na minha barriga (risos). E eu digo que terapia ajuda muito, pois eu não tenho essa escolha!

ZR: Ela ainda surpreende você diariamente?
JFM: Sempre! Outro dia, na escola, a professora perguntou que língua era falada na China. Os coleguinhas responderam “chinês” e ela disse mandarim. Eu perguntei como ela sabia, e ela respondeu que era da música da Banda do Mar. Percebi o quanto passamos as informações “osmoticamente”, já que essa é uma banda que eu gosto muito e ouvimos sempre no carro. Isso é um resultado da construção do dia a dia, maior que muita coisa que você insiste em passar de forma imposta.

ZR: O que você diria para as mulheres que também desejam ser mães?
JFM: Eu acho que para ser mãe é preciso querer! Precisa estar claro os “porquês” disso. Dessa forma, você vai deixar de fazer algumas coisas que gosta sem medo ou arrependimento. Eu gostei de ter esperado, de ter sido mãe mais velha, pois isso me passou outra segurança. Eu acho que a criança não pode vir com bagagens, sabe? Tipo, salvar casamento, ser companhia da mãe, do irmão…  Ela tem que vir porque é hora.

Manoela Whitaker veste Lis-Ha. O pequeno Bento, Beringela | Débora Pitanguy/divulgação

“Ser mãe é a melhor coisa do mundo e a mais difícil também. Eu seria completamente infeliz sem o Bento”

A maternidade por Manoela Whitaker
Amor: Bento
Beleza: nascimento
Conquista: o 1º “Eu te amo” do Bento para mim
Educação: prioridade
Família: 1º plano
Fé: 1º choro
Nascimento: melhor dia da minha vida
Responsabilidade: 24 horas por dia
Superação: conciliar a vida profissional com a pessoal
Tempo livre: não existe

Zumm Ribeirão: A vinda do Bento foi planejada?
Manoela Whitaker: Sim. Já estava casada há 6 anos e queríamos muito um filho. Engravidei fácil e não tive nenhum problema. Só no final da gestação que algumas complicações surgiram e o Bento acabou nascendo muito magrinho. Ele ficou um tempo na UTI. Eu digo que isso foi uma superação mesmo, ficamos apreensivos, mas no final deu tudo certo.

ZR: Você comentou que sempre foi workaholic. Como conciliou isso com a chegada de um filho?
MW:
Me tornar mãe foi completamente diferente ao que eu imaginava. Eu me lembro de que, a caminho da sala de parto, pelo WhatsApp, eu desmarquei uma reunião com o meu chefe (risos). No fim, consegui me organizar bem. Foi maravilhoso, não dá para explicar.

ZR: Podemos dizer que você conseguiu deixar tudo sob controle?
MW: Não. Nada que você planeja acontece. Digo que somos mães perfeitas quando não temos filhos. Eu acho que o amor é a base de tudo. Eu sempre trabalhei muito e nunca vou deixar de trabalhar, porém me programo para estar perto do Bento. Todos os momentos que eu tenho livre, priorizo com ele. Aliás, isso é uma eterna culpa, eu vivo culpada, achando que poderia fazer mais.

ZR: O que você teria feito mais vezes antes de se tornar mãe se soubesse como seria agora?
MW:
Teria dormido mais! (risos). É uma preocupação que jamais vai cessar, pois, em qualquer coisa que fazemos, pensamos no filho em 1º lugar.

ZR: A Manoela mãe é rígida?
MW: Sim. Sou bem rígida com ele. Meus pais eram comigo e acho que deu bem certo. Sempre converso, tento mostrar o porquê das coisas, é uma rigidez misturada com muito amor. Eu sempre me cobrei muito e vejo que às vezes eu cobro ele também. Então me policio. Mas o Bento já tem uma boa índole, é muito responsável, preocupado com as coisas.

ZR: Em que pequenos atos dele, você já enxergou essa educação que você está tentando passar?
MW:
Meu filho é muito fácil de lidar, carinhoso… Ano passado, quando ele entrou na escola, por exemplo, eu não tive que fazer nenhuma adaptação. Ele simplesmente me deu tchau e foi (risos). Na realidade, eu fui chamada na escola por um outro lado, pois ele estava apanhando de um coleguinha e ele não fazia nada para se defender. Ele não estava entendendo o que estava acontecendo. Porque isso não existe em casa e, consequentemente, não existe na cabeça dele. Isso aconteceu porque ele é muito bom. Eu acho que isso é parte da educação, mas é muito dele também.

ZR: Qual é o passatempo preferido da Manoela e do Bento?
MW: Em São Paulo, todo sábado, a gente fazia café na cama e assistia desenho até altas horas. Fazemos isso até hoje, porém, como aqui em Ribeirão Preto temos mais coisas para fazer, vamos para a minha mãe, ficamos na piscina, reunimos os filhos das minhas amigas que tem a mesma idade do Bento…

ZR: Vocês se mudaram recentemente para Ribeirão Preto, depois de 16 anos em São Paulo. Como foi ter a sua família morando pertinho de vocês?
MW: Foi ótimo! Em São Paulo, já tinha a Cacá (babá) que é meu braço direito e esquerdo (risos), que está comigo há muito tempo e é a paixão do Bento. Porém, não tinha a minha família. Depois que eu mudei para cá, é outra coisa! Minha mãe vive para o Bento. Eu acho essa parceria muito bacana e quero mais que eles fiquem juntos. Morando perto, tudo funciona, outra vida mesmo.

ZR: O que é ser mãe para você?
MW: É a melhor coisa do mundo e a mais difícil também. É aquela eterna cobrança, porque a gente nunca acha que está fazendo o suficiente. No entanto, eu não me vejo sem o meu filho. Eu seria completamente infeliz sem o Bento!

Além de Marcela (foto), Márcia Mariani tem 2 filhos: Sergio e Antonio. A dupla veste Soirée | Débora Pitanguy/divulgação

“Ser mãe é a melhor experiência da vida, seja planejada ou não. Acredite nisso, pois é real! Quem é mãe sabe”

A maternidade por Marcia Mariani
Amor: incondicional
Beleza: ser autêntica sempre
Conquista: uma família unida
Educação: instrumento essencial
Família: base de tudo
Fé: sempre. Deus que nos protege.
Nascimento: experiência mágica
Responsabilidade: fazer a diferença na vida dos filhos
Superação: abrir mão de você por eles
Tempo livre: estar sempre com eles

Zumm Ribeirão: Você acredita que, em alguns momentos, a mãe confunde seu papel com o de irmã ou amiga?
Marcia Mariani: Sim, acredito. Isso aconteceu comigo também. Fui mãe muito nova, com 19 anos, e você acaba misturando a relação de mãe com a de irmã, pois quer ser meio a meio. E não é esse o seu propósito! Isso é ruim e atrapalha tanto a mãe quanto os filhos.

ZR: Mas hoje você já se encontrou nesse sentido?
MM: Foi logo depois que eu tive meu último filho, com 32 anos, que consegui chegar nessa definição real. Era a hora de eu ser mãe, pois estava mais tranquila, com um casamento mais equilibrado, meus filhos mais equilibrados. É difícil você administrar uma família quando existe uma diferença de idade muito grande entre os filhos, temperamentos diferentes…

ZR: Seus filhos esbanjam personalidade. Você tem um dedinho nisso?
MM: Sempre quis que eles fossem pessoas inteiras, que tivessem personalidade! E isso acabou complicando para o meu lado no momento da criação (risos). Se você é uma mãe “castradora”, mais rígida, seu filho não a questiona e acaba tendo medo de você. Então eu optei por não ser essa mãe, para que o mundo também não pudesse fazer isso com eles, deixá-los acuados, medrosos.

ZR: Até porque, nos dias de hoje, ter medo de tudo não traz resultados…
MM: Pois é! Nada é estático! Você não tem casamento garantido, dinheiro, saúde… tudo muda dia a dia. Se você não der para o seu filho a capacidade da superação, se ele não conseguir levantar quando cair, e ele vai cair muitas vezes, emocional, profissional e financeiramente, em algum momento ele vai precisar buscar isso dentro dele. Ele vai precisar da autoestima, saber o seu valor como pessoa. Ele tem que saber que não importa o que esteja acontecendo com ele, será sempre uma pessoa que vai virar a mesa.

ZR: Qual é o seu conselho precioso de mãe?
MM: Tem algumas coisas que você tem que guardar para a vida e isso eu passei para os meus filhos. Quando você está em uma situação difícil, não faça movimentos bruscos. Vá devagar. Se for sentimentalmente, haja com moderação. Em um assalto, com tranquilidade. Movimentos bruscos geram reações bruscas! E aí, aquela situação que dava para consertar acaba realmente dando errado.

ZR: É preciso se acalmar antes de tomar qualquer decisão…
MM: Sempre que der tudo errado, vá dormir, porque amanhã é outro dia! E quando você acordar, tente focar naquilo que é bom, porque atrai coisas boas. Sabe aquela coisa que dizem: já está tão ruim que não dá para piorar? Engano seu! Dá para piorar sim. Então, temos que manter o pensamento positivo.

ZR: Como é olhar para trás e enxergar tudo que já passou, perceber como seus filhos estão hoje?
MM: Eu fui uma pessoa antes de ser mãe e hoje sou outra. Cada filho é de um jeito. É engraçado, pois você recebe esse feedback. Eles vão crescendo e dando um retorno. Aprendi que cada um tem um gênio e que precisava lidar com eles de forma única.

ZR: Não existe receita de bolo?
MM: Não! O que funciona para um não funciona para o outro. Por isso que a receita de bolo que os nossos pais usavam com a gente não funciona com os filhos de hoje. É outra geração. Eu acredito que a nossa geração de pais melhorou em alguns aspectos, mas ainda acho que não podemos deixar que os filhos façam tudo que desejam. Quando quero e penso que é o certo, ninguém passa por cima da minha autoridade. A mãe nunca será para o filho a coisa mais maravilhosa do mundo, mas ela, sem dúvida, deu o seu melhor! Ser mãe é a melhor experiência da vida, seja planejada ou não. Acredite nisso, pois é real! Quem é mãe sabe.

Mariana Antonelli usa calça e camisa de sua multimarcas Soirée. As crianças vestem Beringela | Débora Pitanguy/divulgação

“Como mãe, me sinto completa e realizada! Nem o trabalho satisfaz essa coisa de você chegar e abraçar seus filhos. Eles são seus!”

A maternidade por Mariana Antonelli
Amor: filhos
Beleza: cotidiana
Conquista: minha família
Educação: indispensável
Família: minha base
Fé: sempre
Nascimento: realização
Responsabilidade: batalha diária
Superação: ser mãe, mulher e esposa
Tempo livre: curtir e viajar com a minha família

Zumm Ribeirão: Como foi a chegada da Helena?
Mariana Antonelli: Foi uma chegada inesperada. Eu e o Everton, meu marido, já morávamos juntos. Fizemos uma viagem deliciosa para Punta Cana e voltei grávida. Cheguei a Ribeirão Preto e passei mal. Achei que era gastrite e quando fui ver, era a Helena! Nunca pensei em ser mãe. Não tinha nenhuma prática com crianças. Quando vi a Helena pela 1ª vez, descobri o amor verdadeiro.

ZR: E como foram os primeiros dias com ela?
MA: Não deixei ninguém dar banho nela, nem minha mãe, nem minha sogra… Era eu quem dava. Quando ela tinha 9 meses, fui para São Paulo, passei mal no carro, e descobri que estava grávida do Daniel. Foi muito rápido!

ZR: Como vocês receberam essa surpresa?
MA: Eu e o meu marido já conversávamos sobre ter outro filho, mas não estávamos programando. Na minha cabeça, eu ia fazer a festa de 1 ano da Helena, dar uma respirada, viajar, para depois engravidar. Mas o Daniel veio antes (risos). Nosso ritmo de trabalho é muito louco, então foi bom ter um perto do outro, pois já passamos aquela fase bebê com os 2 juntos.

ZR: Qual é o time que ajuda você a ser uma supermãe?
MA:
Conto muito com a Lê (babá) e com a Giovana que trabalha lá em casa. E com a minha mãe, que mora em frente! Eles atravessam a rua e estão na casa da vó. Moramos em condomínio, então facilita. A avó e o avô são muito presentes na vida deles.

ZR: De que maneira você coloca limites nessa relação para que eles não “estraguem” as crianças?
MA: Às vezes, eu fico brava e falo “mãe, não tire minha autoridade! ” (risos). Mas não tenho problemas sérios e acho essa relação muito boa. Hoje, por exemplo, antes de vir para cá, a Helena estava chorando porque não queria pentear o cabelo. Minha mãe disse: “não chore, a vovó está aqui”. Isso é bacana, porque enquanto eu e meu marido trabalhamos, minha mãe ajuda a oferecer esse aconchego.

ZR: Como você se cobra como mãe?
MA: Me cobro por passar muito tempo fora. Mas quando estou com eles, meu tempo é só deles. Nos finais de semana quero estar sempre perto, brincar, entender o que eles gostam. Um dos meus erros é deixar que durmam comigo. O quarto vira um albergue, com colchão no chão (risos). É uma forma que eu tenho de sentir eles. Acho que a mãe se sente culpada o tempo todo, tentando descobrir se está dando atenção suficiente.

ZR: Eles ainda são pequenos. Isso dificulta na hora de viajar, por exemplo?
MA: Ainda não consigo viajar de avião com eles. Não vou para Disney, por exemplo. Quero esperar eles crescerem mais. O que a gente anima é ir para hotel fazenda. Lá, eles brincam, aproveitam a natureza e a gente fica perto, e consegue se divertir também.

ZR: Qual momento faz você se encantar, ainda mais, com eles?
MA: Aos domingos, quando estamos todos na cama e eles dizem “mamãe eu te amo”. Não tem o que pague! Eu crio eles com muito amor. Quando levo para a escola e deixo na sala de aula, me abaixo, olho nos olhos deles e digo “mamãe te ama. Daqui a pouco estou aqui”. No carro, às vezes, eu digo “o que a mamãe esqueceu de falar hoje? ”. Aí eles respondem “que te ama”. É importante eles se sentirem amados, terem um porto seguro e saberem que qualquer coisa o pai e a mãe estarão sempre ali.

ZR: Hoje, com eles na sua vida, você se sente completa?
MA: Completa e realizada! Nem o trabalho satisfaz essa coisa de você chegar e abraçar seus filhos. Eles são seus!

Adriana Coselli Marcondes é mãe de Lorella, Marcella e Antonella. Na foto, ela e a filha Antonella vestem Lis-Ha | Débora Pitanguy/divulgação

“Ser mãe é uma realização plena, que nos transforma, que nos abraça todos os dias com uma sensação única de agradecimento pela vida e por tudo que nossos filhos nos proporcionam. É muito prazeroso, e mais que isso, uma ligação eterna”

A maternidade por Adriana Coselli Marcondes
Amor: família
Beleza: natural
Conquista: filhos responsáveis
Educação: tradicional e rígida
Família: maior riqueza
Fé: Deus
Nascimento: das minhas filhas
Responsabilidade: de tornar o mundo melhor
Superação: meu câncer
Tempo livre: leitura e sol

Zumm Ribeirão: Como foi se tornar mãe?
Adriana Coselli: Na verdade, não fiz um planejamento como muitas mães fazem. Minhas filhas foram 3 presentes de Deus, pelos quais eu fiquei muito grata. Eu era casada, não tinha problema nenhum e poderia enfrentar a gravidez, a criação e tudo mais. Fiquei muito feliz ao saber das 3 surpresas.

ZR: Mas você queria?
AC: Sim. Quando casei, queríamos ter 4 filhos. Era o que meu marido e eu planejávamos. Mas eu dizia que ia esperar mais um tempo, aproveitar um pouco mais a vida, viajar. Porém, 6 meses depois do casamento eu engravidei, com 26 anos.

ZR: Do momento em que você descobriu que estava gravida, o que acha que mudou mais em você?
AC: Muita coisa, a gente nunca mais é a mesma. Você deixa de ser só você e passa a pensar nos filhos o tempo todo. Imagina o que está acontecendo com eles. Cada fase é uma fase. Enquanto é bebê, tentar descobrir o que é o choro: se é sede, é sono, é fome, é dor? Depois as necessidades mudam e nunca param. Eles crescem mais um pouco, se tornam adolescentes e são outras preocupações que chegam. Vão para a universidade, mudança de cidade, viagens, amizades e relacionamentos.

ZR: Como você lida com essas preocupações?
AC: Entrego tudo a Deus, porque não tem como estar no controle de tudo. Eu não tenho essa capacidade, óbvio. Todos os dias peço a Deus e para o Anjo da Guarda delas para guiá-las e protegê-las.

ZR: Como você conciliou a criação das suas filhas com o trabalho?
AC: Aprendi na raça. Não tem manual para ser mãe. É a vida que ensina, que vai te amadurecendo, moldando, até você aprender. Mas você nunca tem certeza que será bem-sucedida. Tem gente que fala que “nasce uma mãe, nasce uma culpa”. Não sei se é verdade ou não, nunca temos certeza de que fizemos tudo que poderíamos ter feito na criação, no apoio, na formação, educação…

ZR: O jeito de ser das suas 3 filhas é diferente?
AC: Sim. Cada uma é de um jeito. Uma mais comunicativa e criativa. Outra mais centrada, organizada, estudiosa e cuidadosa. Outra uma mistura de tudo. Mas todas se tornaram ótimas pessoas, mulheres religiosas, femininas, responsáveis, vaidosas, estudiosas e caridosas. Então, apesar das incertezas, eu olho para trás e sinto que valeu a pena minha dedicação.

ZR: O que não pode faltar nas suas filhas, no sentido de valores?
AC: Todos os valores básicos. Tanto que acredito que a gente tem que casar com pessoas que tenham a mesma base de valores que os nossos. O que tem de mais importante na vida, seja o valor da honestidade, da seriedade, da responsabilidade, do respeito pelas pessoas, do amor e da caridade. Não podemos nos unir com alguém que não tenha a mesma base. Idêntico ninguém é, mas a base de valores tem que ser a mesma, senão não dá certo.

ZR: Adriana Coselli é uma mãe durona?
AC: Acho que sou uma mistura. Eu sou supersensível, mas durona. Sou uma mãe firme e positiva. Se caiu, levante e vamos tentar de novo! Se o objetivo está lá, tem que buscar. É muito do meu jeito de ser e acho que passei isso para elas. Não sou sonhadora, sou super pé no chão. Acredito que se temos capacidade, então podemos nos preparar, estudar, aprender e crescer para conquistar esse objetivo. Todos podemos chegar lá!

ZR: Vocês realizam atividades juntas no tempo livre?
AC: Sim. Gostamos de praticar esporte juntas, tomar sol, passear com os cachorros, ir ao cinema, viajar, sair para almoçar, jantar, enfim, tudo o que for possível em nosso tempo livre.

ZR: Para você, filho é para sempre?
AC: Sim, filhos são para sempre! Ser mãe é uma realização plena, que nos transforma, que nos abraça todos os dias com uma sensação única de agradecimento pela vida e por tudo que nossos filhos nos proporcionam. É muito prazeroso, e mais que isso, uma ligação eterna.

POR JOANA MORTARI

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