Queda no nível de testosterona costuma afetar homens a partir dos 40 anos, mas são poucos os que conhecem o problema ou sabem reconhecê-lo

Muitas vezes comparada (de forma errônea) à menopausa feminina, a andropausa é o nome popular dado ao processo enfrentado pelos homens, normalmente a partir dos 40 anos, em consequência da queda nas taxas do hormônio testosterona. Essa DAEM (deficiência androgênica do envelhecimento masculino), termo médico dado ao problema, causa uma série de sintomas, como fadiga, insônia e redução do desejo sexual, os quais, apesar de presentes, muitos homens têm dificuldade de identificar.
De acordo com a SBU (Sociedade Brasileira de Urologia), apenas 15% entendem os sinais da andropausa. Esse índice, por sua vez, pode ser explicado pelo autodiagnóstico errado e a ausência de acompanhamento médico – a pesquisa da SBU também revela que cerca de 50% dos homens nunca foram ao urologista (profissional que cuida dos sistemas urinário e reprodutor masculino). “A maioria dos sintomas pode estar relacionada ao cansaço, estresse, excesso de trabalho, ou crença (equivocada) que são sintomas naturais do envelhecimento ou de outras doenças. Além do mais, o homem não tem o hábito de fazer consultas regulares de rotina e só procura o médico em caso de extrema necessidade”, explica Rafael Bozzo Tacino (CRM/SP 108598), urologista formado pela USP e pós-graduado em Urologia pela USP/RP. A dica dos profissionais da área, portanto, é consultar anualmente o urologista, já que, às vezes, com uma simples conversa já é possível perceber o que não anda bem e direcionar para exames e possível diagnóstico.
Caso seja confirmada a DAEM, é possível controlar os sintomas com a reposição de testosterona, obtida por injeções (que podem variar de duas semanas a três meses de intervalo) ou por meio de gel de testosterona, aplicado diariamente, como explica Tacino. “Em casos isolados e bem indicados, utilizamos outras drogas, como estimuladores dos hormônios liberadores de gonadotrofinas. Entretanto, esse tratamento não é isento de riscos. Somente um urologista ou endocrinologista pode avaliar esses riscos e pesar o custo/benefício do tratamento”, destaca.
Sobre o paralelo feito da andropausa com a menopausa, o urologista, que ainda aponta a falta de políticas públicas e até mesmo da medicina privada no controle e prevenção da DAEM, explica que a correspondência só é correta até certo ponto. “A menopausa ocorre em todas as mulheres, e, salvo os casos precoces ou de retirada dos ovários, sempre na mesma época, em torno dos 50 anos, quando há a redução brusca da produção dos hormônios femininos. Nos homens, não serão todos acometidos pela DAEM e a queda normalmente é gradativa, cerca de 12% a cada década. Inicia-se normalmente após os 40 anos, com aumento de incidência e prevalência nas populações mais idosas”. Portanto, fique atento aos sinais e não deixe de se cuidar!

Foto divulgação

Os sintomas mais comuns da DAEM que podem aparecer são:
Fadiga;
Distúrbios do sono (insônia ou sonolência excessiva);
Redução da massa e força muscular;
Alterações na memória, irritabilidade, dificuldade de concentração e depressão;
Aumento da gordura corporal;
Redução da libido (desejo sexual);
Dificuldade em obter orgasmo;
Dificuldades de iniciar ou manter a ereção (disfunção erétil);
Diminuição da quantidade de esperma.

Por Amanda Pioli

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