Cansaço, fraqueza, queda de cabelo e dificuldade de concentração são alguns sintomas dessa doença que atinge todo o nosso metabolismo

Em 2014, a fisioterapeuta Ana Carolina Avila Borges começou a se sentir constantemente cansada, mesmo quando dormia bem. Para ela, contudo, o sintoma era apenas reflexo de uma rotina agitada. “Achei que era estresse, mas os sintomas ficaram mais presentes, como insônia, oscilação de humor e prostração”, lembra. E foi só no ano seguinte que, por meio de alguns exames, veio o diagnóstico: hipotireoidismo.

A doença é caracterizada pela diminuição dos hormônios da tireoide, T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina), que atuam em todos os sistemas do nosso organismo. Dessa forma, o corpo passa a funcionar mais lentamente: o coração bate mais devagar, o intestino prende e o crescimento pode ficar comprometido. “os sintomas são ‘sorrateiros’ e, numa fase inicial, confundem-se com queixas habituais. Cansaço, fraqueza, sonolência excessiva, pele seca, intolerância ao frio, queda de cabelos, dificuldade de concentração, ganho de peso, retenção de líquidos, constipação intestinal, diminuição da libido e irregularidade menstrual”, alerta a endocrinologista Fernanda Peduti B. Halah (CRmSP 81619), especialista pela SBEm-AmB (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia).

Mais comum em mulheres, principalmente na 3ª e 4ª décadas de vida, o hipotireoidismo apresenta como causas primárias, em especial, o fator congênito e doenças autoimunes da tireoide (nas quais o organismo produz anticorpos que a danificam). Já as causas secundárias, e mais raras, são doenças da hipófise e do hipotálamo, como tumores, cirurgia e irradiação. o diagnóstico é feito por meio do exame de sangue que dosa os níveis de TSH (hormônio estimulante da tireoide).

A endocrinologista explica que, embora na maioria dos casos não tenha cura, a doença possui tratamento, com o qual é possível “conseguir um bom controle”. “o tratamento é feito com a reposição hormonal de T4, em doses adequadas. não há a necessidade de associar o T3, pois vários estudos realizados não confirmam benefício de tal prática na maioria dos pacientes”.

Durante o tratamento, o iodo pode ser um aliado se ingerido sob medida, uma vez que é fundamental para a produção dos hormônios tireoidianos. Ele é encontrado, em maior quantidade, nos peixes, frutos do mar e algas marinhas e, em menor, em ovos, leite e derivados. Entretanto, se consumido em exagero, esse elemento químico pode se tornar um vilão. “O excesso de iodo pode desencadear o surgimento de doenças autoimunes da tireoide nos pacientes com tal predisposição. Estudos populacionais vem sendo feitos no Brasil para monitorar a suficiência iódica, os quais irão direcionar ainda melhor nossa conduta como médicos”, destaca a Dra. Fernanda.

No caso de Ana Carolina, apenas a reposição foi suficiente para que ela voltasse ao “normal” – a única mudança é a necessidade de medicação diária. “o hipotireoidismo, quando medicado, não interfere ou atrapalha a rotina. Sigo normalmente a vida de mãe, esposa, profissional e ainda brinco de ser atleta amadora. mas fiquei mais atenta aos sinais que o corpo nos mostra e mantenho uma rotina de exames de acordo com orientação medica”, finaliza.

Por Amanda Pioli

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA