À frente de empresas de prestígio em Ribeirão Preto e em todo o estado, pais e filhos batalham juntos para que as marcas se fortaleçam ainda mais no futuro

No universo empresarial, uma das heranças que podem ser deixadas aos filhos são as experiências que os pais adquiriram ao longo do tempo trabalhando em variados ramos. Para aqueles que trabalham juntos, essa troca acaba sendo um presente diário, na qual podem aprender como seguir com o negócio da família e também, por meio de um olhar mais jovem, oferecer à empresa novos caminhos. É uma verdadeira união de forças, em que tradição e renovação se equilibram, resultado em puro sucesso. É claro que, entre as trilhas do caminho, algumas pedras surgem. Porém, segundo pais e filhos, todo erro serve como aprendizado e não há nada melhor que batalhar juntos para seguir em frente.
Descubra como são os dias dessas duplas que vestem a camisa do negócio familiar, o qual acreditam ser extremamente satisfatório quando realizado com muito amor, dedicação e paciência.

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“Mesmo sendo mais tímido e não se expressar muito, o carinho que o Thiago tem por mim e pela nossa família é uma das coisas que mais admiro nele”
Kleison Ribeiro, 52 anos, Diretor-presidente da Lider Interiores
“Me espelho no perfil empreendedor do meu pai, de estar sempre buscando coisas novas para crescer. Outra coisa é o lado familiar, ou seja, de fazer tudo pensando em nós”
Thiago Ribeiro, 24 anos, Marketing, Recursos Humanos e Transporte da Lider Interiores

Zumm Ribeirão: Como foi a vinda do Thiago para a Lider?
Kleison Ribeiro: A Lider já é uma empresa familiar. Trabalho junto com a Jussara, minha esposa, e sempre trouxe para trabalhar comigo os meus parentes. Minha irmã cuida da parte financeira, nossa gerente é a minha cunhada, sempre tivemos essa visão. A entrada do Thiago veio após um trabalho que realizamos juntos. Ele teve uma franquia na área da construção civil há uns 3 anos, voltada para películas, e tudo ia bem. Porém, como éramos parceiros, isso acabou sobrecarregando a parte dos montadores e prestadores de serviços aqui da empresa. Foi quando decididos que seria melhor ele vir trabalhar comigo.

ZR: E essa transição foi tranquila para você, Thiago?
Thiago Ribeiro: Foi uma boa escolha, até para começar a conhecer mais a fundo a empresa que num futuro será minha, da minha irmã, da família. Sei que mais para frente meu pai quer ter tranquilidade para tocar tudo de forma leve, sabendo que tem alguém para ajudar. Me formei em Administração, por escolha própria, sem pressão do meu pai, e hoje, na Lider, sou responsável pelas áreas de Marketing, Recursos Humanos e Transporte, mas também estou com projetos para fazer parte financeira.

ZR: Essa união ajudou nesse posicionamento de mercado mais forte que a Lider teve recentemente?
KR: Sim. Estamos há 21 anos em Ribeirão Preto, mas, com o Grupo Lider, estou há 35 anos. De 5 anos para cá, todo o grupo tomou uma postura diferente. Focamos na força da marca, criando um perfil mais conceitual. Ter o Thiago comigo nessa mudança foi muito positivo.

ZR: Como vocês lidam com as cobranças do trabalho fora da empresa, ou seja, como separam profissional de pessoal?
KR: É difícil encontrar um empresário que trabalhe com a família e que consiga separar as coisas (risos). Mas a gente tenta não levar os assuntos profissionais para casa. Como o Thiago também é atleta por Ribeirão Preto no Rendball, os treinos dele são durante a semana e vão até tarde. Acho que isso é uma coisa que ajuda a não tocarmos tanto no assunto. Agora, de fim de semana, quando passamos mais tempo juntos, conversamos bastante sobre a empresa. Eu cobro muito dele!

ZR: Você acredita que essa cobrança faça parte da sua geração?
KR: Eu acho que sim. Hoje os jovens são conhecidos como geração Y, tem pensamentos e rotinas muito diferentes dos de antigamente. A minha geração sempre foi de acordar cedo para trabalhar, por exemplo. Mas essa cobrança com o Thiago é muito saudável e acho que por isso dá certo.
ZR: Vocês acham que essa sintonia já vem do tipo de criação?
TR: Eu sempre digo isso. Desde pequeno, a gente ouve do meu pai e da minha mãe que tudo é nosso. Então, por exemplo, se a luz está acessa, é meu dinheiro que está indo embora, não apenas o deles. Nunca fomos individualistas ou algo nesse sentido. O que meus pais fazem para mim é o mesmo para a minha irmã.

ZR: E tem também a parte do diálogo que é importante em qualquer tipo de relação.
KR: É preciso detalhar bem quem é responsável pelo quê. Como deve ser feito, separar as funções de cada um. Isso é muito claro e respeitado aqui na Lider. Acredito que a gente precisa, sim, conhecer tudo, mas cada um precisa desenvolver o seu papel para que as coisas fluam.

ZR: E a forma como falamos também conta, afinal temos mais liberdade com nossos familiares.
TR: Eu acredito muito nisso. Para resolver os problemas, é preciso saber como falar, como se portar. Dessa forma, você evita qualquer conflito e nem desrespeita ninguém.

ZR: No dia a dia, existe uma “lição profissional” que você tenta passar para o Thiago?
KR: Honestidade e responsabilidade. Se ele estiver nesse caminho, será um homem de sucesso, sem dúvida.

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“Aprendi com o meu pai que tudo vale a pena. Se acreditamos, temos que lutar. Sempre devemos fazer mais!”
Ana Carolina Fortes Guimarães, 25 anos, Marketing da Imobiliária Fortes Guimarães
“Me surpreendi com o comprometimento dela! Realmente não esperava que ela fosse vestir a camisa como fez”
João Paulo Fortes Guimarães, 56 anos, Sócio-proprietário da Imobiliária Fortes Guimarães

Zumm Ribeirão: Sempre foi uma cultura da Fortes Guimarães trabalhar em família?
João Paulo Fortes Guimarães: Trabalhei com o meu pai durante 30 anos. E agora estou tendo a oportunidade de trabalhar com a minha filha há 2 anos. Ela fez ESPN em São Paulo, trabalhou em grandes empresas por lá, como a Vivara, e, mesmo estando bem, veio para me ajudar com essa crise imobiliária. Não houve nenhuma pressão. Conversamos e ela decidiu vir ajudar a empresa na qual nasceu. Para mim foi uma surpresa muito boa! A gente sempre teve essa cultura familiar e essa expectativa de trabalharmos juntos. Foi assim comigo e com o meu pai. Eu também comecei a trabalhar com ele por que ele estava precisando de uma força.

ZR: E quais as suas expectativas quando você veio trabalhar com o seu pai?
Ana Carolina Fortes Guimarães: Tinha um pouco de medo de como seria. Sempre tive um relacionamento muito bom com o meu pai. Temos afinidade, somos muito parecidos. Só que trabalhar junto, por si só, já é diferente. Eu não queria que essa nova oportunidade atrapalhasse o que a gente tinha de bom. Mas foi o contrário! Ficamos ainda mais afinados, próximos, ligados…

ZR: Qual linha você adotou no início do trabalho?
ACFG: De exemplo e respeito. Afinal, meu pai tem 30 anos de mercado imobiliário, conhece muito bem esse nicho em que atuamos. O que eu puder fazer para agregar, eu vou fazer, mas sempre tendo esse respeito e lembrando que ele é meu grande exemplo.

ZR: Um completa o outro?
JPFG: O pessoal aqui na empresa fala que a Ana Carolina é o João Paulo de saia (risos). Mas eu não acho. Ela tem alguns conhecimentos que eu não tenho. Com um tempo de trabalho, a gente vai dando uma acomodada natural. Então, Deus permitiu que ela viesse. E na dificuldade, nesse momento ruim do mercado, ela está nos ajudando muito, por meio do conhecimento da juventude, das experiências da faculdade, das mídias sociais. Eu tenho 56 anos e ela 25. Essa nova geração vem para ajudar! Não tenho dúvidas.

ZR: Vocês acreditam em afinidade comercial?
JPFG: Com certeza. Assim como eu tinha com o meu pai. Lógico que existiam discussões, éramos gerações diferentes. Mas eu tenho essa afinidade com a minha filha. Nossa relação é muito aberta! Ela sabe tudo sobre a empresa e acho isso super válido.

ZR: E como vocês definem o tempo livre de cada um?
JPFG: Eu acho que esse é o lado bom de você ser sócio! Você se prepara para sair de férias em 2 ocasiões: quando a empresa permite e quando você precisa de um tempo. Sendo esse último muito importante.

ZR: Então, tem essa flexibilidade…
ACFG: A gente consegue organizar alguns fins de semana juntos, o que é muito bom, e também temos uma segurança maior para viajar, porque sei que o meu pai estará aqui tocando tudo que deixei organizado, e vice-versa. Não substituímos um ao outro, mas temos essa confiança que se acontecer alguma coisa, um estará aqui para resolver.

ZR: No que a Ana Carolina mais lhe surpreendeu nesse tempo trabalhando juntos?
JPFG: Me surpreendi com o comprometimento dela! Realmente não esperava que fosse vestir a camisa como fez. A gente sempre vê a filha como filhinha (risos) e, de repente, você a vê fazendo coisas como “gente grande”. Sabia que ela foi preparada, que estudou muito, viajou, fez cursos fora… eu sabia da bagagem, da competência. Mas não imaginei que ela faria com tanto empenho.

ZR: Daqui a 10 anos, vocês se veem trabalhando juntos?
JPFG: Torço pela felicidade dela. Seja aqui ou em qualquer outro lugar. A Ana Carolina é extremamente competente e sempre terá sucesso na carreira. Não vinculo ela à empresa. Quero que ela siga o destino, sem obrigação.

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“Nesses 25 anos trabalhando juntos, o que mais me espelho no meu pai é o caráter e a perseverança”
Túlio de Araújo Pagano, 41 anos, Diretor Administrativo e Técnico da Tap Pagano Construtora
“A seriedade e a responsabilidade sempre foram lições que tentei passar para o Túlio e ele correspondeu da melhor forma possível”
Armando Pagano Júnior, 72 anos, Diretor Comercial da Tap Pagano Construtora

Zumm Ribeirão: Quando percebeu que o Túlio iria seguir seus passos na Tap Pagano?
Armando Pagano Júnior: Desde pequeno, mesmo quando estudante, o Túlio se interessou pelos negócios.

ZR: Como vocês definiram a relação profissional que possuem?
APJ: Acredito que como a maioria dos relacionamentos profissionais entre pais e filhos, ou seja, o pai é mais conservador e experiente, e o filho, mais dinâmico, arrojado e criativo. Eu e o Túlio enxergamos as coisas da mesma maneira, mas, muitas vezes, temos que debater e debater para chegarmos a um consenso.

ZR: Mas vocês têm essa liberdade de discutir os pontos que não agradam?
TAP: Sim. Nossa relação é muito boa! A gente discute de forma saudável e chegamos a um resultado muito melhor que um só pensando. Muitas vezes, eu estou errado em um ponto, meu pai no outro, e nós afinamos a melhor solução.

ZR: Relacionamentos já são complicados por si só. É preciso respeitar muito a opinião do outro para que as coisas deem certo.
APJ: Realmente. O ser humano é por natureza bem diferente um do outro e aí o segredo é a paciência e a sabedoria para tirar o melhor de cada um.
ZR: Algum de vocês se considera workaholic?
TAP: Eu sou sim. Meu pai já consegue separar bem as coisas, não leva as discussões do trabalho para os momentos de lazer, por exemplo. Eu já fico tentando conversar com ele de algumas coisas (risos). Mas acho que ele está certo!

ZR: Na visão do senhor, é preciso dividir família, lazer e trabalho?
APJ: Trabalho é trabalho e deve ser feito com satisfação, muita luta e perseverança. Já família, lazer, esportes e descanso são importantíssimos e imprescindíveis para a saúde mental e física.

ZR: Mas o momento da aposentadoria sempre chega…
APJ: Olha, daqui uns bons anos eu ainda me vejo trabalhando, praticando atividade física, que no meu caso é jogar tênis, e curtindo os netos.

ZR: Túlio, você tem filhos? Pensa em trabalhar ao lado deles quando tiverem idade para isso?
TAP: Tenho um casal com idades de 6 anos e 4 anos e pretendo sim que eles trabalhem comigo. Aliás, tento instigar essa vontade e já levo os 2 nas obras quando posso.

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“Cobramos de nossos executivos o que, cada um em seu papel, tem que entregar e isso não é diferente em relação a nossas filhas. Aliás, às vezes, somos mais exigentes com elas que com os demais”

Chaim Zaher, 64 anos, Presidente do Grupo SEB
Thamila Zaher, 28 anos, Diretora Executiva do Grupo SEB

Zumm Ribeirão: Quando começou essa parceria profissional com suas filhas?
Chaim Zaher: Desde os 5 anos, minhas filhas acompanham o dia a dia dos negócios. Essa parceria foi acontecendo. Eu e a Adriana, minha esposa, somos muito intensos no trabalho e levamos isso para dentro de casa. A participação da família inteira foi inevitável. A Thamila continua ativa, à frente do grupo, junto com Thalita na executiva! Thiciana está dedicada ao Instituto e a Thiara resolveu seguir carreira solo na área de saúde.

ZR: Como definiria o relacionamento profissional de vocês?
CZ: Bastante maduro. Elas são cobradas como executivas na empresa. Quanto ao papel de pai e filhas, tratamos em casa!

ZR: Mas como se policiam nas cobranças para que não se magoem?
CZ: Foi uma coisa que tivemos que aprender desde cedo para garantir a governança dos negócios e o bom relacionamento familiar. Somos muitos exigentes em termos de gestão e resultados. Cobramos de nossos executivos o que, cada um em seu papel, tem que entregar e isso não é diferente em relação as nossas filhas. Aliás, às vezes, somos mais exigentes com elas que com os demais.

ZR: Tem muita gente que não acredita nessa parceria familiar. Por que acha que esse preconceito existe?
CZ: Sem dúvidas, não é uma situação fácil de lidar, separar os papéis é muito difícil. O preconceito existe porque as pessoas desistem no meio do caminho. Vencer essa barreira e limites das relações exige muita conversa, maturidade pessoal e organizacional. Separar os papéis de família, gestão e propriedade é um exercício diário e um objetivo claro a ser alcançado.

ZR: Quais são os defeitos profissionais um do outro e como lidam com eles?
CZ: Pergunta difícil. Nossos defeitos são parecidos. Somos muito exigentes e acreditamos no que fazemos, o que, muitas vezes, é mal interpretado pelos outros. Contornamos com diálogo e discussão e, no final, sempre há consenso – diferente disso colocaria em risco o futuro da instituição!

ZR: O que o senhor mais preza em passar para as suas filhas dentro da vida profissional?
CZ: Ser um líder, ético, humilde, bem-humorado e ter respeito e lealdade aos colaboradores. Foco no cliente, em melhoria de processos e resultados deve ser uma constante. Ter credibilidade no mercado em que atua, atender às necessidades de nossos alunos e familiares que confiam a educação de seus filhos às nossas escolas. Ser um líder que forme novos líderes para garantir a perpetuidade do negócio!

ZR: Tradição garante o sucesso do negócio?
CZ: Acredito que um equilíbrio entre a tradição, a experiência adquirida e as novas técnicas é salutar para os negócios. Precisamos ter consciência de que o sucesso passado não garante o presente e tão pouco o futuro. Os tempos são outros, as tecnologias impactam diretamente o nosso dia a dia. Dessa forma, precisamos acompanhar as necessidades de nossos clientes sem perder de vista nossa missão, visão e valores que fizeram nossos negócios prosperar.

POR JOANA MORTARI

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