Entenda o processo de doação que permitiu que o Theatro Pedro II pudesse ser chamado, definitivamente e enfim, de nosso e quais foram as consequências dessa mudança

Foi na tradicional (e belíssima!) Sala dos Espelhos, no dia 10 de junho, que a solenidade da doação da escritura do Theatro Pedro II para Ribeirão Preto aconteceu. Das mãos do governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, o prefeito da cidade, Duarte Nogueira, recebeu o documento, concretizando o sonho de muitos ribeirão-pretanos: ter, oficialmente, esse icônico teatro só para nós. “Fizemos gestões junto ao governo estadual para que essa doação pudesse acontecer, por entender que a cidade merece possuir o prédio de forma oficial. Também contamos com a sensibilidade do governador Geraldo Alckmin em atender aos pedidos de Ribeirão Preto para que a transferência prevalecesse”, explica Nogueira.
Além de um marco na história da cidade, na opinião do prefeito, os ribeirão-pretanos devem enxergar o Pedro II como um prédio majestoso, um espaço cultural como poucos no país. “É um local que guarda inúmeras histórias dos tempos áureos do café. Um prédio que abrigou, e abriga, comédias, aventuras, música, drama, alegrias e tristezas”.
Ele afirma que a prefeitura, juntamente com a Fundação Dom Pedro II, mantenedora do teatro, trabalhará constantemente para que o Theatro receba os melhores espetáculos e mantenha grandes projetos culturais. “Vamos aprimorar ações para que orgulho de ter um teatro tão importante seja sempre crescente, visível e reconhecido”, ressalta.

“Notei uma aproximação das pessoas, que muitas vezes não sentiam a importância do Pedro II ou não sabiam da sua história. Achei isso o mais bonito!”
Mariana Jábali
Presidente da Fundação Dom Pedro II
Foto Roberto Galhardo

Um final feliz
À frente do 3º maior teatro de ópera do Brasil pela 2ª vez, Mariana Jábali afirma que a doação do Pedro II foi um verdadeiro presente para Ribeirão Preto, também por conta do seu aniversário que aconteceu 9 dias após a solenidade. “Legalmente, o cotidiano do Theatro não será mudado, pois o município sempre assumiu todos os seus encargos. Porém, o pertencimento jurídico é muito importante para nós. Finalmente podemos, de forma definitiva, acabar com essa especulação, com a situação ‘é nosso, mas não é’”, comenta a Presidente da Fundação Dom Pedro II.
Mariana ainda lembra as circunstâncias que fizeram, décadas atrás, que o Theatro fosse parar nas mãos do governo estadual. De acordo com ela, isso aconteceu quando a Antarctica, a qual havia comprado a Cervejaria Paulista, que era a fundadora do Pedro II, estava à procura de um terreno. “Então houve uma troca: a Antarctica adquiriu um terreno e passou o Theatro para o governo estadual, que assumiu as precatórias. Como o último pagamento aconteceu em 2015, só então foi possível dar andamento na doação”.

Equipe Theatro Pedro II: Francisco Paschoalick (Iluminador Cênico), Ingrid Adriazola (Atendente), Alan de Andrade (Técnico de Manutenção), Sarah Casagrande (Assistente Diretoria), Paula Campos (Assistente Artística), Mariana Jábali (Presidente), Denise Buzeli (Atendente Bilheteria), José Zanandreia (Chefe Bilheteria), João Garcia (Mecânico Cênico), Janderson Mesquita (Sonoplasta), David Ricardo (Sonoplasta), Carlos Tampa (Visitação e Arquivo Histórico), Ana Cecília (Assistente Artística), Mateus Furan (Mecânico Cênico) e Regina Scatena (Diretora Artística)
Foto Roberto Galhardo

Uma repercussão positiva
A doação, na percepção de Mariana, fez com que o Theatro ganhasse destaque nas mídias, instigando as pessoas que ainda não conheciam a história desse patrimônio a se envolverem mais. “Os meios de comunicação deram a real importância ao acontecimento e nós sentimos essa perpetuação, muito mais que outros assuntos relacionados ao Theatro anteriormente. Eu notei uma aproximação das pessoas, que muitas vezes não sentiam a importância do Pedro II ou não sabiam da sua história. Elas se interessaram em pesquisar, fazer parte. Achei isso o mais bonito!”
Com uma equipe empenhada em trabalhar diretamente com a comunidade, o Theatro, segundo a Presidente, é um caminho de oportunidades para as pessoas se aproximarem de inúmeros tipos de culturas e novos conhecimentos. “De alguma forma, nos tornamos pontes um para o outro. Essa interligação auxilia para uma vida com mais qualidade. Todos ganham! E o Theatro é um dos melhores lugares para ter essa troca, na minha opinião, pois abriga talentos, esforços, boa vontade, criatividade…”.
Mesmo sabendo que os cidadãos, muitas vezes, deixam de ir ao teatro pelo preço elevado dos ingressos, Mariana revela que essa realidade pode ter outras saídas, com projetos que já estão em andamento para diminuir os valores e deixar a cultura mais acessível. “O que mais quero é aproximar as pessoas desse universo, instigar essa realidade. Sei que alguns espetáculos têm um preço mais alto, porém, temos muitos outros que conseguimos levar até a população de forma mais acessível, seja por uma apresentação gratuita ou com parcerias e projetos, como o ‘Amigos da Casa’ e o ‘Juventude tem Concerto’”.

Regina Helena Pizan Scatena, Diretora artística do Theatro Pedro II
Foto Roberto Galhardo

O Theatro como vitrine
Com vários projetos em ação, os quais estão estimulando o envolvimento do público, Regina Scatena, Diretora artística do Pedro II, afirma que o Theatro é uma excelente opção de vitrine para as empresas. “Estamos precisando de parceiros! Quem tiver vontade de unir a sua marca ao Pedro II é só nos procurar para conversar”.
Outra ferramenta que é utilizada para estimular as pessoas a frequentarem mais o Theatro são as redes sociais. “Essa rapidez da internet nos auxilia a despertar o interesse. Na divulgação, gravamos alguns ensaios, por exemplo. Queremos reacender a vontade de quem frequentava e parou ou fazer nascer esse impulso. Estamos notando um bom resultado”.

Foto Divulgação

Teatro para todos
Conheça alguns projetos do Theatro Pedro II:

Amigos da Casa
Aberto a todas as modalidades artísticas, jurados especialistas fazem uma análise dos pilotos dos espetáculos que desejam se apresentar na casa. Em 2017, a seleção acontecerá em setembro. Os selecionados desse ano, a partir de 2018, já podem se apresentar no Pedro II e o Theatro não cobrará nada, sendo que a bilheteria, com um preço mais acessível, é todo revertido para o artista ou a companhia.

Juventude tem Concerto
Com a intenção de aproximar a comunidade das orquestras, aos domingos, toda a população pode conferir o ensaio da Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto no Pedro II, sem custo algum. Segundo Regina, outro leque desse projeto está em andamento, envolvendo estudantes das redes municipal, estadual e particular. “As escolas serão convidadas, com um número determinado de alunos, e poderão visitar o Theatro com um cronograma especial com duração de no máximo 1 hora e meia. Eles poderão acompanhar o ensaio da orquestra de forma mais didática e entender toda a estrutura de funcionamento de um teatro como o nosso”.

Fotos arquivo do Theatro Pedro II

“Quando o Pedro II sofreu o incêndio em 15 de julho de 1980, ele já estava descaracterizado como teatro, pois havia se tornado um cinema, onde, na parte de baixo, existia também uma boate e um espaço para jogos de sinuca. Para voltar a sua forma, foram 11 anos de espera. Nesse tempo, nasceu, então, um movimento de convergência para que a sua reconstrução acontecesse, com a união de todas as forças da cidade, tanto intelectuais e artísticas quanto políticas. Foi nessa época que Orestes Quércia desapropriou o Theatro para configurar que o estado estava junto nessa luta. E tombou todo o Quarteirão Paulista como patrimônio histórico cultural. Em 1991, além da união dessas forças, foram feitas doações do Governo, do município e de empresários, juntamente com a Fundação Roberto Marinho, para começar a reconstrução, modernização e restauração do Theatro. Ele foi reinaugura do em 19 de junho de 1996, no aniversário de Ribeirão Preto”.
Depoimento de Mariana Jábali

POR JOANA MORTARI

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