O empresário Maurilio Biagi Filho conta, em entrevista, a trajetória de um dos principais setores econômicos responsável pelo crescimento de Ribeirão Preto

No decorrer de 160 anos de existência, Ribeirão Preto se tornou uma das principais cidades do estado, sendo o 3º maior município fora da Grande São Paulo. Todo este desenvolvimento foi possível graças à agricultura, em especial de café e cana-de-açúcar – daí a alcunha de “capital do agronegócio”.

Com destaque nesta trajetória, aparece o nome do empresário Maurilio Biagi Filho, já que, ao lado de outros familiares, ele foi um dos responsáveis por alavancar o crescimento da cidade e da região nas últimas décadas, principalmente com o setor sucroalcooleiro. Grande conhecedor do tema, o atual presidente do Grupo Maubisa e presidente de honra da Agrishow conversou com a Zumm Ribeirão sobre a história do agronegócio e deu valiosos conselhos para a continuidade do desenvolvimento local.

Zumm Ribeirão: Quais as origens do agronegócio em Ribeirão Preto?
Maurilio Biagi Filho: Ribeirão foi uma cidade que se desenvolveu a partir de uma imigração muito forte, que começou por volta de 1920. Na época, dos 50 mil habitantes que viviam no município, apenas 14 mil eram brasileiros, o resto era estrangeiro. Esse pessoal veio para cá e trouxe o café, primeiro grande exponencial da região e responsável por alavancá-la.

Zumm Ribeirão: O que fez o café ser substituído pela cana-de-açúcar?
Maurilio Biagi Filho: Com a quebra da bolsa de Nova York, em 1929, a cana foi surgindo como produção alternativa até se tornar a segunda cultura que desenvolveu a região de Ribeirão. Mas vale ressaltar que a região é muito diversificada. No estado, ela é a maior produtora de grãos, café e amendoim, e a maior bacia leiteira. As pessoas pensam que aqui é um mar de cana, mas não.

Zumm Ribeirão: Quais condições fizeram esta cultura se expandir tanto na região?
Maurilio Biagi Filho: Foi uma mistura de condições naturais, como a qualidade da terra e o clima, que para a agricultura são muito importantes, e do empreendedorismo. Aqui é uma região de gente empreendedora. Desde os imigrantes que vieram para cá, basicamente para substituir a mão de obra escrava. A partir daí, eles foram adquirindo terras e crescendo, e ainda hoje 75% dos nomes da economia desta região são de origem estrangeira, italianos em sua maioria.

Zumm Ribeirão: A cana-de–açúcar ainda pode ser considerada a grande força motriz da região?
Maurilio Biagi Filho: Ela ainda é a cultura mais importante em Ribeirão Preto e região, mas isso está mudando. Ela tem perdido espaço, principalmente porque passou por uma crise muito forte nos últimos anos. As zonas urbanas, que estão crescendo muito, também têm tomado esse espaço, além do surgimento de novas culturas mais sofisticadas. As usinas da mesma forma passaram por um período muito difícil. Lá atrás eu já dizia que a gente ia sair da crise pelo açúcar, não pelo etanol, e que o Brasil estava no caminho errado. Me criticaram na época. Mas a recuperação está sendo via açúcar, que está dando sustentação ao setor.

Zumm Ribeirão: Em sua opinião, quais os pontos fortes do município?
Maurilio Biagi Filho: Nossa cidade é o centro de uma região com uma virtude muito grande, que é a diversidade. Assim, você tem aqui, por exemplo, Sertãozinho como polo metalúrgico; Franca, um centro calçadista; Matão com produção de implementos agrícolas. Esta característica, tanto na área industrial quanto no setor agrícola, incluindo também comércio e serviço, é muito importante. Aí também se juntam terra boa, clima bom e gente boa, e você tem a equação certa.

Zumm Ribeirão: Você construiu uma trajetória muito importante no agronegócio, que acompanhou o desenvolvimento de Ribeirão Preto. As duas histórias se confundem?
Maurilio Biagi Filho: Não a minha história, mas a história da minha família, que tem a ver sim com o desenvolvimento de Ribeirão Preto. Minha família sem dúvida nenhuma contribuiu para esse crescimento. Mas ela aparece entre tantos outros nomes que ajudaram a cidade e que prefiro não citar para não cometer alguma injustiça.

Zumm Ribeirão: Por fim, quais dicas você dá para que Ribeirão Preto possa continuar crescendo?
Maurilio Biagi Filho: Eu acho que a cidade precisa investir muito em tecnologia. Ela é a capital do agronegócio, mas aqui estão todas as empresas de tecnologia. Também temos muitas escolas e universidades importantes na cidade, como a USP. Precisamos investir nessas áreas, bem como no planejamento. Planejar melhor a cidade, com mais organização, e estabelecer limites, porque essa bagunça não pode continuar. Só assim poderemos crescer e nos desenvolver.

POR AMANDA PIOLI – FOTO ROBERTO GALHARDO

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