É tudo uma questão da intensidade do envolvimento emocional, do exemplo dentro de casa e da dedicação para se doar ao outro

Estar apaixonado pode gerar inúmeras mudanças comportamentais involuntárias, especialmente quando a pessoa que desperta desejo se aproxima, como aquele frio na barriga, mãos suadas ou taquicardia. Isso acontece porque o hipotálamo, parte do cérebro humano responsável por controlar as emoções, libera vários hormônios quando estamos emocionalmente envolvidos com alguém. Segundo a psicoterapeuta Patricia Capuani, é a intensidade desse envolvimento (que após a fase da paixão pode facilmente virar amor) que serve de termômetro para o nível de romantismo do casal. Além disso, as relações que vivemos ao longo da vida deixam suas marcas, tornando a pessoa mais ou menos romântica. “Na realidade, o romantismo é ‘aprendido’ desde a infância, quando as crianças vivenciam isso vendo as atitudes dos pais ou cuidadores. São nos pequenos e diários detalhes que ele se desenvolve, passando para a adolescência e a fase adulta. Com isso, cada pessoa terá sua forma de ser romântica, sem padrões ou certo e errado”, revela Patricia.
A psicoterapeuta ressalta que, diferente do que muitas pessoas podem achar, o romantismo não se baseia apenas em entregar uma flor, fazer uma surpresa ou comprar o presente dos sonhos para o outro. Ele vai muito além, envolvendo a atenção em relação às necessidades do parceiro. “Cria-se uma atmosfera na qual romance e companheirismo andam de mãos dadas. Um relacionamento afetivamente proveitoso flui com tranquilidade e leveza, trazendo paz e segurança aos envolvidos”.
Outro fator abordado por Patricia são as expectativas que homens e mulheres colocam em seus parceiros, as quais, muitas vezes, não se concretizam ou não saem como planejadas, criando grandes decepções amorosas. “Não podemos esperar que todos sejam românticos. Cada um tem uma forma de se relacionar. Pode ser, por exemplo, que aquela pessoa não tenha sido tão acarinhada pela mãe ou irmãos, ou que não teve um exemplo de romantismo em casa. É preciso ter paciência, se colocar no lugar do outro e, com o tempo, criar um relacionamento mais harmônico para que aí, naturalmente, o romantismo aflore”. Como forma de sair da rotina, ser romântico também pode significar ter uma atitude diferente a que estamos acostumados: um beijo de boa noite, a ajuda nas tarefas de casa, o ombro nos dias tristes e a risada conjunta nas celebrações.
Poderíamos ficar dias listando ou tentando entender o romantismo. Mas nada melhor que boas e belas histórias de amor para nos inspirar, como as dos nossos convidados desta edição, que abriram seu coração e mostraram que, bem mais que a “caixa de bombom”, ser romântico é ser parceiro, se entregar sem preconceitos e, acima de tudo, ouvir o coração.

Já estava escrito…

Laís e Luiz Felipe Navarro namoraram na adolescência, se separaram e, após 13 anos, se casaram

Será que é possível um amor existir mesmo quando ninguém se dá conta? Quando a distância e o tempo parecem tê-lo transformado apenas em recordação? Para Laís Pierucci Alves Castro Navarro e Luiz Felipe Scaranti Navarro, a resposta é “Sim. Totalmente” e o casamento deles há cerca de um ano se tornou prova disso.
A história dos dois começou em 2004, quando ambos frequentavam um curso de inglês e os rituais adolescentes ainda ditavam a forma de se relacionar. “Uma colega do curso perguntou para ele se me achava bonita e se namoraria comigo. A partir daí ele já começou a conversar comigo, a fazer os trabalhos em dupla só comigo… até que um dia, com as mãos tremendo, me pediu em namoro”, lembra a bióloga e professora, que tinha 14 anos na época.
O relacionamento, então, se resumia em encontros uma vez na semana, mãos dadas pelos corredores da escola e cartinhas românticas – que hoje são prova de um amor que, mesmo inocente, já existia.

“Ambos éramos românticos e tímidos. Mas sempre me senti nas nuvens e com borboletas no estômago perto dele. Infelizmente, depois que mudamos o dia das aulas, paramos de nos encontrar e nos afastamos sem motivo, apenas pela distância”.

Mas as cartas trocadas ficaram de indício que o término poderia não significar o fim da história. Mantendo contatos esporádicos ao longo de 11 anos e com apenas um encontro por acaso, a relação foi recuperada pela internet, com Luiz tomando a iniciativa novamente. “Começamos a conversar e ele me chamou para sair. Fiquei resistente, mas, nas nossas várias conversas, surgiu, em nós dois, aquele sentimento puro, que parecia ter ficado represado durante todos aqueles anos. O amor voltou à tona, trazendo a certeza que queríamos ficar juntos”, lembra Laís.
E se a distância desempenhou, na primeira vez, um papel crucial na separação, ela foi a força para que a união dos dois se tornasse oficial e eterna. “Enquanto namorávamos, ele foi transferido de cidade e surgiu a oportunidade de ‘morarmos juntos’ de finais de semana e feriados, o que fez com que ficássemos com vontade de viver isso diariamente e sempre. Hoje, procuramos manter o carinho, amor e romantismo que esteve presente desde a primeira vez. Às vezes, buscamos os gestos de antigamente com as cartinhas, bilhetinhos, mimos que fazem toda a diferença e alimentam ainda mais nosso amor”.

25 anos de amor

Valéria e Nêne com a cachorrinha e filha Lyfe. Em 2017, elas completaram 25 anos juntas e acreditam na sinceridade como fonte do romantismo que compartilham

O prazer de vivenciar momentos divertidos ao lado de amigos em comum uniu os destinos da técnica de Tênis Ana Cecília Moreira de Oliveira e da consultora de vendas Valéria de Oliveira Moreira. “Me apaixonei pela Nêne desde a primeira vez que a vi! Ambas estávamos em outros relacionamentos e nada aconteceu de imediato. Por frequentarmos a mesma turma, tivemos inúmeros encontros ao acaso, até que eu pedi para conhecê-la melhor. Desde então, mudamos nossas vidas para ficarmos juntas”, conta Valéria.
E uma paixão tão avassaladora como essa não merece apenas uma união conjugal, não é mesmo?! O casal conta que se casou várias vezes ao longo dos 25 anos de união (completados no ano passado), colecionando momentos emocionantes e hilários. “Em 2008, nos casamos pela primeira vez. Foi uma cerimônia surpresa organizado pela Nêne e pela Silvana Campos, uma grande amiga nossa. Fomos até a casa da Sil para um jantar de Dia dos Namorados e, quando cheguei, já estava tudo organizado. Muito emocionante!”.
O casamento no civil foi outra aventura, segundo elas. Em 2011, juntamente com duas amigas que seriam testemunhas, Nêne e Valéria se arrumaram e partiram para Jardinópolis para assinarem, no cartório, sua Comunhão de Bens. Mas, chegando lá, souberam que precisavam seguir algumas regras burocráticas, as quais fizeram que o casamento oficial fosse prorrogado para alguns dias depois – mais precisamente, para 11/11/2011. “A gente achou a data muito próxima, pois a vontade era fazer uma recepção bem bacana para os familiares e amigos. Mas decidimos mantê-la, por ser tão diferente, e seguimos com o plano. Mais uma vez, com a ajuda dos amigos, organizamos tudo em tempo recorde e nos casamos pela segunda vez!”.
Para elas, o romantismo não está apenas nas surpresas e nos presentes, mas também na parceria do dia a dia, assim como na sinceridade que os casais precisam cultivar entre si. “Nós sempre fomos muito transparentes uma com a outra e isso nos fez chegar até aqui. Buscamos forças diárias para reinventar nosso amor e faremos isso até o fim dos nossos dias”, garante Nêne.

Segunda chance ao amor

Viúva há cinco anos e separado há dois, na época em que se conheceram, Silvia e Rodrigues encontraram no outro uma nova maneira de ser feliz

Em meio a mensagens estritamente profissionais trocadas pelo WhatsApp, o coração do comerciante Jucelino Rodrigues começou a bater mais forte por Silvia Campos, responsável pela Cantina da Escola Ideal de Ribeirão Preto, para a qual ele era fornecedor. “Fui casado por 28 anos e, nessa época, estava separado há dois. Toda semana eu perguntava se ela estava precisando do reabastecimento de algum produto. Não sei explicar, mas, desde a primeira vez que conversamos, Silvia mexeu comigo. Tinha algo especial nela e queria muito que me notasse”, conta Jucelino, que nas horas vagas também é radialista.
Antes de conhecê-lo, Silvia estava há cinco anos viúva e jamais imaginou ser cortejada ou se apaixonar por alguém novamente. Foi quando, em um barzinho junto com as irmãs, a empresária encontrou aquele comerciante que estava sempre à disposição para ajudá-la. “Quando voltei do banheiro, o Jucelino estava me esperando para conversar. Ele perguntou se eu era casada ou se tinha alguém e eu contei minha história. Quando soube que era viúva e não namorava ninguém, me beijou de surpresa. Brinco que foi aí que me conquistou (risos)”. Conquista essa que completou um ano no último dia 13 de maio.
Entre flores e presentes, Rodrigues mantém o romantismo do casal. Já Silvia nunca perde a oportunidade de incentivar o amado, tanto na carreira quanto na vida pessoal. “Nunca vivi isso! A Silvia se preocupa demais comigo. Não consigo enumerar o que ela faz que mais me agrada. Achei que esse amor, essa dedicação, não existissem”.
Para Silvia, o namorado trouxe um novo sentido a sua vida. “Minha família sempre diz que estou mudada, feliz. Não imaginava amar novamente. Sofri muito com a perda do meu marido. O Rodrigues é sensacional comigo! Tenho dois filhos e ele quatro. Todos se dão bem e incentivam nosso relacionamento”, revela.
E quando o assunto é uma segunda chance que deram ao amor, ambos levantam a bandeira e afirmam:

“Incentivamos nossos amigos que viveram situações amorosas parecidas com as nossas a se permitirem e viverem um sentimento como esse. Acreditamos que Deus sempre reserva coisas boas e que temos que seguir em frente. Hoje, viver o que vivemos, não tem preço. Vale a pena acreditar!”.

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