Para que os alunos tenham mais interesse e facilidade em aprender uma língua adicional, escolas bilíngues e de idiomas mudaram o perfil de ensino com aulas práticas, que vão muito além da gramática tradicional

Antes de começar a explicar a mudança no tipo de ensino das línguas estrangeiras, é preciso destacar que o termo “estrangeiras” está caindo por terra. Isso é o que afirma Rafael Bianchi, Diretor Acadêmico da Hopeland. “A palavra dá a entender que o idioma é uma coisa estranha, que não nos pertence, e, no cenário moderno, a língua não precisa pertencer a um território limitado. Muito pelo contrário, ela pertence a todo mundo”.

Rafael Bianchi, diretor acadêmico da Hopeland

Atendendo prioritariamente crianças (a partir de quatro anos) e adolescentes (na fase do Ensino Médio), o Diretor da Hopeland afirma que quanto mais cedo inserirmos as crianças no aprendizado de uma língua adicional, melhor será seu envolvimento. “Há um tempo, existia uma preocupação, sem base científica, de que aprender uma língua adicional ao mesmo tempo em que a criança estava sendo exposta à língua materna poderia causar confusão. E a neurociência mostra que não! Aprender outro idioma é um processo de expansão neural e traz benefícios cognitivos para a criança, que podem ser percebidos em todos as áreas”.

O material utilizado e a forma como esse ensino é passado também são peças importantes para que os alunos embarquem na aprendizagem. Bianchi aponta que o tempo dedicado em sala de aula não pode estar apenas voltado à gramática. As aulas precisam envolver temas de diversas áreas, inclusive a cultura de outros países que utilizam o inglês como língua adicional.

“Temos que capturar sempre o interesse dos alunos, apresentando o idioma como uma ponte para alcançar outros conhecimentos, um passaporte que dê acesso a lugares que eles realmente desejam explorar”.

Teorias modernas de aprendizagem 

O inglês se destaca por ser uma língua-conexão, utilizada no universo acadêmico e de negócios, em várias partes do mundo. E desse vínculo, juntamente com a evolução da tecnologia, acabou nascendo outra forma das pessoas enxergarem e entenderem o idioma. Como ensiná-lo, então, de uma maneira mais interessante “aos jovens de hoje”, que têm acesso a universos vastos por meio dos vários meios de comunicação?

Para Gina Adele Gato, Coordenadora dos International Programs do Liceu Albert Sabin, existem duas abordagens que atendem a muitas necessidades desse público e das modernas teorias de aprendizagem. A primeira, CLIL (Content and Language Integrated Learning), refere-se ao ensino das disciplinas, como Ciências, História e Geografia, por meio de uma língua estrangeira, tendo dois objetivos pedagógicos: o ensino da matéria e do idioma, como meio de instrução.

“Isso representa uma experiência motivadora e útil, reconhecida e apreciada pelos próprios alunos, que se beneficiam com uma instrução mais concisa sobre o funcionamento do inglês e com um foco maior na descoberta e no uso desse conhecimento”, afirma.

A segunda, PBL (Aprendizagem Baseada em Problemas), envolve uma sequência específica para ativar o conhecimento existente, descobrir um assunto e relacioná-lo a um problema ou desafio. “O produto final demonstrará a solução do problema. O valor desse trabalho é que os alunos integram várias disciplinas para produzir seu resultado final com autonomia, ativando muitas habilidades essenciais para o aluno do século XXI. Ambas as abordagens produzem excelentes resultados, pois promovem a interdisciplinaridade, permitem que os alunos definam seu próprio nível e que os professores e pais percebam a ocorrência da aprendizagem”.

Gina Adele Gato, coordenadora dos International Programs do Liceu Albert Sabin

Uma grande responsabilidade

Sem dúvida, o aluno precisa se dedicar para que os resultados surjam. No entanto, Eliana Gentil, Coordenadora Educacional do Senac Ribeirão Preto e especialista em metodologia do ensino da Língua Inglesa, destaca alguns pontos importantes que estão voltados 100% à escola, como ir além, buscando encantar, adotar metodologia de resultados, proporcionar treinamento para a equipe educacional, remunerar adequadamente, investir em tecnologia e disponibilizar recursos, materiais de ponta, e apoiar o processo educacional para que o educador tenha ferramentas disponíveis para estimular o educando.

“Esses fatores fazem parte do aprendizado responsável, com autonomia e coparticipativo, consciente de sua responsabilidade no processo educacional. O aprendizado depende do esforço dos dois, escola e aluno, de forma equilibrada”.

Eliana Gentil, coordenadora educacional do Senac Ribeirão Preto

De acordo com Eliana, prender a atenção do aluno também é primordial para o aprendizado não só de um idioma, mas de qualquer competência a ser desenvolvida. “É importante deixar claro que errar faz parte da aprendizagem e que está tudo bem cometer falhas no início do processo, principalmente ao se comunicar oralmente. Essa compreensão evita bloqueios”.

Praticando é que se aprende!

Na visão de Patricia Capuani, musicoterapeuta especialista em psicoterapia, passar por algum processo, ou melhor, praticar algo no universo escolar (assim como nas demais fases da vida) leva a uma melhor absorção do que está sendo ensinado.

“A criança, por exemplo, absorve muitas coisas por meio do lúdico. Então, se esse universo da língua adicional estiver ligado à diversão, brincadeiras ou músicas, ele será melhor absorvido”.

Patricia Capuani, musicoterapeuta especialista em psicoterapia

Já para os jovens, uma das técnicas para intensificar atenção no aprendizado é propor metas, o que pode começar dentro de casa, ainda na infância. “Se os pais trouxerem algo cultural para seus filhos desde cedo, será muito mais fácil introduzir alguns objetivos em sua adolescência e fase adulta.

O intercâmbio pode ser um deles, o que justifica o aprendizado de um novo idioma e de como ele será importante para sua vida pessoal e profissional”, finaliza a musicoterapeuta.

POR JOANA MORTARI 

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