Grupo que nasceu da iniciativa da empresária Luiza Helena Trajano em ajudar o próximo já conta com mais de 200 participantes no seu núcleo em Ribeirão Preto e auxilia projetos sociais importantes para a cidade

Por Joana Mortari

A força da união feminina ganhou nome registrado: Mulheres do Brasil. Presidido pela empresária Luiza Helena Trajano e tendo como vice-presidente a também empresária Sonia Hess, o grupo foi criado em outubro de 2013 quando 40 executivas de diferentes segmentos se uniram com o intuito de engajar a sociedade civil na conquista de melhorias para o país. “Desde o início, sabíamos que o Mulheres do Brasil tinha um grande potencial de agregar muitas participantes, mas nos surpreendeu esse crescimento em apenas quatro anos. Hoje, somos mais de 13 mil no Brasil e em Portugal. Isso mostra que as mulheres são cada vez mais protagonistas de suas histórias, com vontade de mudar e transformar realidades”, afirma Luiza Helena.

Luiza Helena Trajano

De acordo com a presidente, características como sensibilidade, intuição e espírito de servir são mais comuns entre as mulheres. “O grupo é uma rede política e suprapartidária, com núcleos espalhados no país e no exterior. Compomos um grupo heterogêneo, de diversas classes sociais e profissões, com os mesmos objetivos em comum. Estimular o protagonismo feminino, fazer parcerias e elaborar planos de ação são a essência do nosso trabalho”.

Ele chegou a Ribeirão!

Lançado em outubro de 2017 (com o recorde de 500 mulheres em seu evento de abertura), o Mulheres do Brasil – Ribeirão Preto é comandado por Patricia Zanon, dentista, empresária e grande admiradora da missão do grupo. “Somos recente, porém muito ativo! A cidade já borbulha trabalhos sociais, então fomos nos conectando e as coisas fluíram”, revela a líder.
Por ser um grupo de ação, as participantes, a cada 40 dias, se reúnem para esquematizar as melhores maneiras de impulsionar causas que, muitas vezes, não conseguem alcançar seus objetivos e estão precisando de uma força. “De tempos em tempos, em São Paulo, a Luiza Helena e a Sonia realizam um ‘portas abertas’ para receber as mulheres interessadas em participar. Assim, de acordo com as áreas de atuação e experiências de cada uma, os perfis das participantes vão se encaixando e subgrupos são montados em dezenas de cidades”.

Sempre em busca de recursos, Patricia enfatiza que os mais variados apoios, contatos, serviços e conexões são extremamente bem-vindos ao grupo, pois todos têm alguma coisa boa para dar. “Auxiliamos projetos de educação, saúde, cultura, meio ambiente, assim como na inserção de refugiados, no apoio a pessoas com deficiência, nos posicionando contra a violência da mulher e lutando pela igualdade racial”.

Patricia Zanon

De acordo com ela, a mulher, quando se desenvolve e se empodera, tem, histórica e cientificamente comprovada, a vontade de auxiliar as pessoas que a rodeiam. “A mulher bem-sucedida ajuda a família, os vizinhos, os amigos… é uma dinâmica tipicamente diferente do homem”, aponta a dentista.

A primeira ação do Mulheres do Brasil na cidade aconteceu em Bonfim Paulista, distrito de Ribeirão Preto, com a adoção da escola Dr. Francisco da Cunha Junqueira. “Não focamos apenas no auxílio ao desenvolvimento das crianças, mas também na comunidade como um todo. Isso até que tenham autonomia e a gente possa desenvolver esse mesmo trabalho em outra escola”, esclarece.

Apoio às mães e aos prematuros

Casa de um dos centros de neonatologia que é referência nacional, o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto ganhou o apoio do Mulheres do Brasil para ajudar na locomoção das mães de baixa renda que precisam visitar seus filhos pré-maturos diariamente, porém encontram dificuldades financeiras e de acesso aos transportes públicos. “Muitas mães acabam ficando em suas casas, produzindo leite, sem uma maneira de chegar ao HC. Recém-cesariadas, andam por quilômetros para amamentar seus filhos. Isso não é biológico!”, conta Walusa Assad Gonçalves Ferri, responsável pelo centro.

Ser amamentado pela mãe, segundo Walusa, é fundamental, principalmente para os pré-maturos. De mãos dadas com essa causa, o grupo entrou em contato com a Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto, que já se manifestou e afirmou que, até 2019, novas possibilidades de percursos e tickets de transportes gratuitos serão implementadas. “Sou neonatologista há 18 anos e percebi que o Mulheres do Brasil possui um poder diferente. Há tempos tocávamos nesse assunto do transporte, mas não conseguíamos muita coisa. Quando o grupo veio para nos auxiliar, foi tudo muito rápido. Essa capacidade de união que as mulheres têm é incrível!”, revela a médica.

Walusa Assad Gonçalves Ferri

Estímulo para o leite

Complementando esse projeto que facilita o transporte público às mães do HC, Walusa explica que também existe a necessidade de bombas elétricas de amamentação para que essas mulheres mantenham a produção do leite até que os filhos pré-maturos alcancem o peso mínimo ideal (2kg) e sejam liberados do hospital – eles passam mais de três meses internados. “Longe do bebê, o cérebro não recebe estímulos e não entende que precisa produzir leite. Para que esse estímulo exista, as bombas elétricas de amamentação são as mais indicadas, segundo estudos. Antes, falávamos em ordenhar os seios à mão, o que é complexo, cansativo e doloroso para a mãe, além de não reproduzir a mesma força da sucção”, explica a neonatologista.

Contando com a colaboração de todos que possam e queiram ajudar, o Mulheres do Brasil está aberto a doação das bombas ou de recursos para comprá-las – o HC precisa de 60 unidades que custam, em média, R$1.500 cada. “Chamamos esse projeto de ‘Banco de Bombas’. As mães levarão o aparelho de sucção para casa, para ordenhar seu leite e depois congelá-lo. Esse leite congelado será entregue no HC, onde será pasteurizado e armazenado no Banco de Leite do hospital”.

Segundo Walusa, esse processo economizará futuramente, para a prefeitura, milhões de reais que teriam que ser aplicados na área da saúde. “É um investimento na sociedade! Uma criança que não recebe o leite materno, a atenção da mãe e que fica isolada tem grandes chances de ser autista, esquizofrênica ou apresentar outras condições médicas com o passar dos anos”.

Elo forte

Desde a infância, Mara Pereira Alvim busca auxiliar o próximo. Seu lado solidário nunca deixou de crescer, o que rendeu inúmeras conquistas para a cidade, muitas delas à frente do Fundo Social de Solidariedade de Ribeirão Preto, onde permaneceu durante quatro anos. “Nessa época, conheci 130 instituições, inclusive favelas, e vi todo tipo de necessidade”, lembra Mara.

Atualmente responsável pela administração da Creche Modelo e envolvida em outras dezenas de causas, ela é mais uma das integrantes do Mulheres do Brasil, atuando como um elo entre o grupo, empresários e políticos que estejam à disposição para ajudar. “Trabalho há anos levantando recursos solidários e vi nessa minha experiência uma forma de auxiliar. Quando soube da proposta do Mulheres do Brasil fiquei encantada, exatamente pela ideia de auxiliar muitos projetos bons que já acontecem na cidade”.

Mara Pereira Alvin

O fato de a mulher estar em vários segmentos e passar por inúmeras situações, boas e ruins, a cada dia, abre o leque de experiências e formas de ajudar àqueles que precisam de auxilio físico e emocional. “Já temos dois eventos do Mulheres do Brasil agendados para este ano. Um será a feijoada, com local já escolhido e parceiros. Tenho certeza que será um sucesso! E o outro, um chá da tarde, no fim do ano, que está sendo estudado para que aconteça da melhor maneira possível. Também queremos envolver grandes empresários e mostrar os benefícios que o grupo pode oferecer. É um trabalho lindo e apaixonante!”, afirma Mara.

1 COMENTÁRIO

  1. Mulheres protagonistas como as citadas acima, são inspirações para todas nós.
    Gratidão ao movimento de liderança que Luiza Trajano começou, e que suas sucessoras vem também fazendo brilhantemente.
    Patrícia Zanon- em Ribeirão Preto está de Parabéns. Está tendo sabedoria e uma visão ampla para buscar um resultado duradouro, trabalhando a educação de base.

    “Sonho que se sonha junto é realidade.”
    Que o grupo Mulheres do Brasil tenha muitas Mara Pereira Alvim…

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