Uma das bebidas mais consumidas no mundo ganhou versões artesanais que conquistaram um público amplo por meio da criatividade na criação de seus sabores

Mas como tudo isso começou em Ribeirão Preto? Conversamos com especialistas no assunto, que explicaram o nascimento das cervejas artesanais em nossa cidade, destacando algumas passagens importantes, assim como curiosidades da bebida que instiga qualquer bom cervejeiro. Um conselho? Abra “aquela gelada” de sua preferência, prepare o aperitivo que melhor combine com o rótulo escolhido e acomode-se no sofá para viajar com a gente por este universo tão envolvente!

O mundo Craft Beer
A simpática Kátia Pereira começou seu relacionamento com as cervejas artesanais de forma mais intensa a partir de 2012. Há 2 anos ela deixou a carreira de funcionária pública para se dedicar inteiramente à organização do Slow Brew Brasil. “Também temos o Slow Brew Ribeirão, no qual promovemos a imersão de cervejas de uma determinada região, juntamente com as cervejarias da cidade. Este ano, o evento acontece no dia 17 de setembro com as melhores cervejarias gaúchas unidas as de Ribeirão Preto. Serão mais de 15 cervejarias e 30 rótulos para degustação livre”, revela a curadora do festival.

Mas por que será que o mercado cervejeiro na cidade é tão aquecido? Kátia explica que a relação do município com a bebida vem do século XIX, quando imigrantes italianos chegaram com a intenção de substituir a mão de obra escrava. “Eles produziam cervejas e licores para consumo próprio. Em 1896, já havia a 1ª fábrica de grande porte chamada Livi & Bertoldi, localizada na rua Capitão Salomão, que, além de cerveja, comercializava licores e outras bebidas”.

Kátia ainda conta que, em 1911 e 1912, 2 fábricas foram fundadas na cidade: a Companhia Antarctica Paulista e a Cervejaria Paulista – concorrentes até o ano de 1973, quando houve a fusão entre elas, que originou a Companhia Antarctica Niger. “Neste período, Ribeirão Preto já era reconhecida como a Capital Nacional do Chope.  Em 1999, a Companhia Antarctica e a Brahma tornaram-se uma única empresa chamada Ambev”.

O mundo Craft Beer (Cerveja Artesanal) começou em 1996 com a instalação da Cervejaria Colorado, que naquela época teve “culhões” para apresentar aos brasileiros cervejas de diversos estilos feitos com ingredientes do Brasil (mandioca, rapadura, café, entre outros). “Neste período, 99% da população bebia apenas o estilo Pilsen. A Colorado foi uma das cervejarias que por muitos anos puxou sozinha a cultura da cerveja artesanal, na contramão de tudo”, ressalta a curadora do Slow Brew Brasil.

Os anos passaram e, em 2009, chegou a cidade a Cervejaria Lund, com foco, a princípio, em estilos clássicos da escola cervejeira Alemã (Pilsen, Hefe-Weizen, Munich Dunkel) e Belga (Witbier, Belgian Pale Ale). “Atualmente a Lund já começou a produzir estilos de outras escolas cervejeiras e tem conquistado mercados em outros estados”. Um ano depois, foi a vez da Cervejaria Invicta integrar o time de Ribeirão Preto: com mais de 9 cervejas, apenas de linha, ela trouxe para a cidade e para o Brasil mais ousadia, com apelo às cervejas mais fortes e lupuladas. “Uma tendência ligeiramente focada na escola cervejeira norte-americana, porém seu portfólio é bem variado”, explica a especialista.

Em 2015, mais 3 pontos cervejeiros nasceram: o Brewpub Weird Barrel Brewing Co., focado na temática de cervejas incomuns, que são degustadas majoritariamente apenas no Brewpub; a Walfänger, seguindo a escola cervejeira alemã e que vem resgatando alguns estilos pouco produzidos no Brasil; e a Pratinha, uma cervejaria “laboratório” que traz para a cena nacional estilos criativos e com vários toques pessoais. “Este ano entrou em cena a SP-330, que possui um conceito bem estabelecido na escola americana e no rock n’ roll. O lúpulo é muito bem inserido nos estilos já produzidos pela cervejaria”, explica.

Outra que está para ser lançada na cidade no final do mês de julho é a filial da Cervejaria Nacional, que já existe na capital paulista. “Seu ponto forte é produzir cervejas com alta drinkability, possuir uma temática voltada ao folclore e variedades sazonais com muitos ingredientes nacionais e do mundo”, finaliza Kátia.

Uma vida como mestre cervejeiro
Dos 81 anos do mestre cervejeiro Carlos Hauser, 39 foram dedicados à Antarctica. “Mesmo depois de aposentado, por meio de convites diferentes, continuei na profissão aqui e ali, como nas cervejarias Colorado, Baden Baden, entre outras menores… Fui até à Suíça, para pesquisar novas opções de produção, porém não tenho mais idade para isso”, conta Hauser.

Você acha que ele pendurou as chuteiras? Que nada! Atualmente, o mestre irá assessorar uma micro-fábrica na cidade de Paraguaçu Paulista, que irá produzir 4.000 litros de cerveja por mês, inicialmente. “São diversos os estados brasileiros que possuem concentrações de micro-fábricas cervejeiras. Em São Paulo, o maior foco no momento é Ribeirão Preto, que revela 8 delas registradas”, ressalta.

E esta febre de cervejas artesanais é algo que encanta o Sr. Carlos, pelo fato de oferecer aos brasileiros mais opções de compra. Na opinião dele, essa “onda” teve início no país com a saída, em larga escala, dos cervejeiros dispensados na fusão entre a Brahma e a Antarctica. “Eles começaram a produzir seus próprios rótulos. O resultado, nos dias de hoje, são as prateleiras recheadas de opções a um valor de, em média, R$ 18,00 a
R$ 20,00, que os consumidores já respeitam, por saber do investimento alto que é colocado naquele produto, feito com matéria-prima muitas vezes importada”. Quando fala de investimento, Hauser ressalta que as cervejarias artesanais não devem pensar em abrir suas portas com a intenção de disputar espaço no mercado com uma Ambev, por exemplo, que produz em quantidades gigantescas. Logo, qual seria o segredo de sobrevivência para as pequenas cervejarias? “Na minha opinião, o grande foco é o marketing. Se ela já abre ligada a um restaurante, ajuda muito. Começar a vender de porta em porta é muito mais difícil”, adverte o mestre.

Se você é amante de cerveja e deseja seguir os passos dele, é importante investir, em 1º lugar, na preparação técnica das áreas de engenharia (alimentos e produção) ou ainda de química, biologia ou agronomia. “Os mestres cervejeiros são responsáveis pela qualidade das matérias-primas, pela boa execução dos processos cervejeiros, e pelo desenvolvimento de novos produtos e processos”.

Todo o procedimento é muito bacana, não é mesmo? Nosso ilustre convidado fez questão de destacar a dica mais preciosa de todas: “Não é preciso apenas ter boa matéria-prima e dinheiro [o valor do investimento inicial vai depender da qualidade do equipamento de produção, do volume de cerveja que será produzido e da automação implantada na fábrica]. O segredo é manter o padrão de qualidade da cerveja! Ela precisa ter caraterística e sabor próprio, os quais irão envolver os clientes e os tornar fiéis àquele rótulo”, garante.

#OrgulhoDeSer016
Para representar o orgulho que tem por sua terra natal, a Cervejaria Colorado apresenta a Cauim 016 – uma homenagem a Ribeirão Preto, suas pessoas e histórias.

A referência direta ao código de área 016 não é à toa, pois a cerveja é vendida exclusivamente na região e pode ser encontrada em garrafas de 600ml nos principais bares, restaurantes e supermercados da cidade. “Ribeirão Preto é a terra do chope e está se tornando referência nacional como polo cervejeiro artesanal. E a Colorado está há 20 anos apoiando e fortalecendo esse reconhecimento. Queremos mostrar nossa gratidão e orgulho pela cidade que sempre nos acolheu tão bem. Para isso, fizemos uma Cauim ainda mais especial”, diz Marcelo Carneiro, fundador da Cervejaria.

A 016 é uma Pilsen com mandioca e conta com um processo de dry hopping com lúpulos franceses, o que deixa o líquido com um aroma sensacional. Tem 4,2% de teor alcoólico, um pouco menor que o da Cauim, já pensando no famoso calor de Ribeirão.

A Campanha
Como a Cauim 016 foi pensada para homenagear a terra natal da Colorado, nada melhor que também prestigiar um ribeirão-pretano que ajuda a cidade. A cervejaria convidou o ‘Seo’ Nelson Stefanelli, um aposentado que espalhou placas para ajudar os moradores a circular pelas ruas da cidade, para criar a campanha de lançamento da cerveja. Agora, as placas do “Seo” Nelson também vão indicar os bares, restaurantes e supermercados onde têm Cauim 016.

cervejariacolorado.com.br

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