Descubra os caminhos que o mercado imobiliário de Ribeirão Preto seguiu para conquistar a influência e o poder de hoje

Ribeirão Preto é destaque no mercado nacional da construção civil. Esse setor da cidade, que envolve grandes construtoras e empresas, arrecada o maior número de ISS (Imposto Sobre Serviço) no município e, com isso, carrega grandes responsabilidades, já que se criou um cenário de investimento lucrativo, que gera interesse dos ribeirão-pretanos e de toda a região. Mas como chegamos até aqui e para onde vamos? É isso que você irá conferir em nossa matéria de capa desta edição, que convidou personalidades envolvidas com essa realidade para revelar passagens históricas e dados que comprovam, sem sombra de dúvidas, toda essa força.

Thiago Faraco, Diretor Regional de Ribeirão Preto da Bild Desenvolvimento Imobiliário – Divulgação

O boom imobiliário e os dias atuais
Se fizermos uma análise do mercado imobiliário local nos últimos 10 anos, é possíveldetectar dois booms marcantes, sendo que o primeiro, ocorrido a partir de 2007, seguiu uma conjuntura de fatores positivos, como os IPOs das grandes construtoras e o aumento da oferta de crédito imobiliário. “Buscando novos mercados, essas empresas programaram uma expansão para o interior de São Paulo. Com isso, novos players se juntaram às construtoras já atuantes na cidade e trouxeram mais lançamentos”, explica Thiago Faraco, Diretor Regional de Ribeirão Preto da Bild Desenvolvimento Imobiliário.
Já no segundo boom, a partir de 2011 – desencadeado pelo reflexo do primeiro momento –, as empresas passavam por uma nova capitalização e crescimento, que criaram uma safra de lançamentos. Essa performance também foi impulsionada pelos indicadores da economia, o crescimento do país e o aumento de renda da população, bem como a ampla oferta de crédito imobiliário. A alta procura pressionou também a valorização dos preços dos imóveis. “Atualmente, temos um reflexo consolidado desse boom, ou seja, foram criados e construídos bairros com novos empreendimentos. Esse desenvolvimento urbano gerou pontos positivos para a cidade, que passou a registrar novos vetores de crescimento”.
Simultaneamente a essas explosões imobiliárias, existiram sinais de desenvolvimento regional, tanto no setor de serviços como no comércio – principalmente nos shoppings e também na migração dos escritórios para essas novas regiões municipais – e, consequentemente, resultados positivos para Ribeirão Preto. Ainda segundo Faraco, com o aumento da concorrência no setor, surgiram novas ideias, projetos e conceitos. “Hoje, é possível traçar esse panorama se analisarmos os lançamentos com conceitos de prédios em condomínios-clube, com lazer supercompleto e áreas totalmente decoradas, ou seja, é um reflexo daquilo que foi tido como tendência de mercado nos últimos 10 anos”.

Ricardo Telles, CEO da Perplan – Foto Zoro Seixas

Ribeirão: a cidade-desejo
Ricardo Telles, CEO da Perplan, acredita que a força desse mercado está relacionada à alta renda e a boa distribuição dela, se compararmos com outras cidades brasileiras. Ele explica que, em uma situação dessas, é natural o despertar do interesse das pessoas em migrar para uma moradia de melhor qualidade, à medida que a macro e microeconomia permitem que elas ganhem confiança e tomem uma decisão dessa relevância. “A maioria das cidades da região é comercialmente ligada a Ribeirão Preto, principalmente no que se relaciona aos serviços. Isso faz com que vários moradores de municípios vizinhos tenham atividades frequentes na cidade, justificando a aquisição de um imóvel, mesmo que para uso temporário. Também é comum as situações em que jovens vêm estudar e passam a constituir família por aqui”, complementa o CEO.

João Paulo Fortes Guimarães, Diretor Comercial da Fortes Guimarães – Divulgação

Comprovando essa tese de investimento, João Paulo Fortes Guimarães, Diretor comercial da Fortes Guimarães, revela que, hoje, 40 % das vendas de sua imobiliária são feitas para investidores de cidades da região. “E pretendemos aumentar esse percentual! Como nossa cidade é um destino importante para consumo das áreas de serviços, ela se torna um objeto de desejo”.

Welton Tadeu De Bortoli, Diretor-presidente do Grupo WTB – Divulgação

Tadeu De Bortoli, Diretor-presidente do Grupo WTB ressalta que, por natureza, o mercado imobiliário ribeirão-pretano é um grande gerador de empregos e riqueza, uma vez que a cidade, além de ser a principal de uma região de aproximadamente 2 milhões de habitantes, é considerada a capital do agronegócio. “Grande parte dos lançamentos imobiliários são adquiridos por pessoas da região, que percebem um grande potencial de valorização e desenvolvimento local, que muitas vezes não existem em suas próprias cidades”.

Haroldo Fernando Borian, Diretor do Grupo HF Borian – Foto Zoro Seixas

Diante desse potencial e especialmente sabendo que o comércio e serviços influenciam continuamente no desenvolvimento dos demais setores, Haroldo Fernando Borian, Diretor do Grupo HF Borian, também espera uma boa retomada. “E dessa vez, ao contrário do que aconteceu no boom imobiliário de 2011, o crescimento deve acontecer de forma organizada e mais duradoura. Naquela época, a oferta foi muito maior que a demanda e não houve fidelização. Já agora estamos preparados e motivados para atender o público da cidade, que chega a ser mais exigente que o das capitais”.

James Kleber Santesso e Ricardo Aragão Rocha Faria, Diretores da Construtora Dinâmica – Divulgação

Como entender essa “força imobiliária”?
Dizer que Ribeirão Preto é forte no setor imobiliário é simples. Mas quais os motivos levaram a cidade a esse patamar? James Kleber Santesso e Ricardo Aragão Rocha Faria, Diretores da Construtora Dinâmica, explicam, pautados por pesquisas feitas pela Fortes Guimarães, que a macrorregião de Ribeirão Preto – com 5 milhões de pessoas e que se estende até o sul de Minas Gerais – consome de forma intensa. “Hoje, 40% das vendas de novos imóveis é para a nossa região, que possui um dos PIBs mais altos do país, baseado no agronegócio que está em ótimo momento”, afirmam os empresários.

Fabiana Gastaldi Nicodemo, Diretora Comercial da Liftplan – Divulgação

Para Fabiana Gastaldi Nicodemo, Diretora Comercial da Liftplan, os fatos de Ribeirão Preto exigir muito dos empreendimentos e consumir na mesma medida auxiliam muito nesse potencial. “O mercado imobiliário é a ‘grande roda da economia’ e, quando um cidadão adquire um imóvel, ele está somando para o crescimento industrial, comercial e, além de tudo, com a geração de empregos! Presenciamos um alto índice de valorização em nossa região, com destaque para a Zona Sul e Bonfim Paulista, que oferecem uma excelente qualidade de vida a poucos minutos dos principais pontos de Ribeirão Preto”, exemplifica a Diretora.

Rodrigo Morando, Diretor Regional da Vitta Ribeirão Preto – Foto Zoro Seixas

Investimentos que começam nas pessoas
Localização privilegiada é uma das preocupações que têm guiado as construtoras, as quais passaram a ficar mais atentas ao comportamento dos futuros moradores a fim de atender suas verdadeiras necessidades e superar as expectativas desse mercado consumidor mais exigente. “A Vitta está investindo cada vez mais em pessoas. Primeiro, no recrutamento da equipe com o perfil da empresa, que é muita atenta ao mercado, sempre procurando ouvir e pesquisar opinião, para buscar melhorias e inovações dos seus produtos. Atualmente, temos uma Diretoria de Experiência do Cliente, por meio da qual buscamos ter um relacionamento muito próximo a eles”, explica Rodrigo Morando, Diretor Regional da Vitta Ribeirão Preto.

Fernanda Hakim Trad Defendi, Diretora de incorporação da Pafil – Divulgação

Ele também garante que constantes testes de novas tecnologias mantêm o interesse dos consumidores, visando entregar o melhor produto – o progresso ainda envolve técnicas e métodos construtivos para reduzir mais o tempo de obra e gerar conforto térmico, acústico, flexibilidade de plantas e áreas comuns inteligentes. “É fato que inovação é tudo atualmente. E inovar nem sempre está atrelado diretamente à tecnologia, ainda que, sem dúvida, essa seja a principal ferramenta utilizada nesses âmbitos. Porém, hoje, nosso investimento principal está no atendimento aos clientes, desde o nascimento do produto até o atendimento em si”, explica Fernanda Hakim Trad Defendi, Diretora de incorporação da Pafil, comprovando a unificação do mercado em torno de um mesmo pensamento.

 

Breno Mendes Vilela, Diretor Comercial da MRV Engenharia – Divulgação

Estudos mercadológicos também são alternativas válidas para acertar em cheio o desejo dos consumidores. Breno Mendes Vilela, Diretor Comercial da MRV Engenharia, afirma que a companhia, para definir seus investimentos em Ribeirão Preto, elaborou pesquisas, que levam em consideração critérios básicos como o PIB, a renda per capita, a população e o déficit habitacional. “Além dessa intensa pesquisa geográfica e social, a empresa levanta dados locais sobre a estrutura pública de água e esgoto, escolas, hospitais, postos de saúde, sistemas viários próximos para fácil acesso dos moradores, bem como promove a melhoria dos bairros e revitalização de áreas verdes”.

 

Elvio Morgatto, Diretor da San Marino Negócios Imobiliários – Divulgação

Melhora comprovada
Segundo Elvio Morgatto, Diretor da San Marino Negócios Imobiliários, Ribeirão Preto atraiu várias empresas do setor imobiliário que realizaram um número excessivo de lançamentos de imóveis. Agora, com a melhora da economia, o alto estoque de imóveis, apesar da crise política, está sendo absorvido pelo mercado, que se tornou mais comprador em função dos preços e condições de pagamentos facilitados dos incorporadores. “O comprador hoje possui mais confiança na compra e o vendedor chegou a patamares de preços mais realistas”, revela Morgatto.

 

Pedro de Stéfani Nogueira, Diretor da Stéfani Nogueira Urbanização, Incorporação e Construção – Divulgação

Quando falamos de melhora no mercado imobiliário, buscamos ainda dados conclusivos que reflitam essa realidade. De acordo com Pedro de Stéfani Nogueira, Diretor da Stéfani Nogueira Urbanização, Incorporação e Construção, dentro da área de inteligência de mercado, a Stéfani Nogueira produz e acompanha índices como o VSO (Velocidade Sobre a Oferta), que é, basicamente, o número de unidades vendidas por mês em relação ao seu estoque. “Esse índice vem crescendo consistentemente há algum tempo, não só na Stéfani Nogueira, mas em empresas de capital aberto, que publicam seus balanços, os quais acompanhamos”, explica o Diretor. Outros índices medidos (anteriores à decisão de compra), como o número de visitas de clientes, agendamentos, atendimentos e propostas de compra, também vem aumentando. “Sem contar o ‘clima das ruas’, inegavelmente muito mais otimista que há um ano. Sem dúvidas, o mercado imobiliário está melhorando!”.

Hilton Hugo da Silva Fabbri, Diretor da Hugo – Divulgação

Outro ponto que evidencia essa reestruturação da economia local, de acordo com Hilton Hugo da Silva Fabbri, Diretor da Hugo Engenharia, são os investimentos realizados pelo município, que recebeu R$250 milhões apenas no primeiro semestre deste ano. “Os sinais da economia demonstram que Ribeirão Preto, no último ano, cresceu acima das demais cidades da Grande São Paulo. Os dados são do Boletim Estrutura Produtiva do Ceper/Fundace, que analisou as regiões administrativas do estado de São Paulo, com foco nos segmentos da indústria de transformação e da construção civil, entre 2006 e 2014”.

Adilson José da Silva, Diretor Técnico da Prestserp Construtora, e Fued Wadih Mattar Netto, Diretor Comercial – Divulgação

E como fica 2018?
Não é novidade para ninguém que os últimos três anos foram um período de crise em muitos setores. Contudo, de acordo com Adilson José da Silva, Diretor Técnico da Prestserp Construtora, e Fued Wadih Mattar Netto, Diretor Comercial na mesma empresa, o triênio serviu para adquirir um grande aprendizado ao mesmo tempo em que o mercado se nivelou, garantindo a sobrevivência apenas daqueles que melhor se prepararam e souberam buscar boas oportunidades. “Daqui para frente, os clientes e investidores têm mais segurança na hora de escolher o que comprar e de quem comprar. Nesse cenário econômico mais fortalecido, o ritmo de lançamentos tende a ser maior, com produtos bem mais elaborados”, destacam.

José Renato Magdalena, Diretor da Construtora Copema – Divulgação

De acordo com José Renato Magdalena, Diretor da Construtora Copema, com a previsão de taxa Selic de 7% a.a. até o fim do ano e juros reais próximos a 3% a.a., a tendência dos imóveis é de recuperação de preços, o que já vem acontecendo nos novos lançamentos e nos estoques remanescentes. “Para nós, em Ribeirão Preto, não é diferente do restante do país. As vendas já tiveram um aumento expressivo e a quantidade de lançamentos também ganharam novo ritmo, considerando que o mercado imobiliário ganhou outra dinâmica”, afirma. A queda dos juros e o consequente cenário favorável são exaltados também por João Marcelo de Andrade Barros, sócio e Diretor da Habiarte. “Tal combinação é oxigênio puro para o mercado imobiliário. Estamos convictos de que a recuperação será muito rápida e, diante dessa expectativa, faremos o lançamento de um novo bairro de alto luxo e seus dois primeiros empreendimentos verticais ainda este ano”, conta, referindo-se ao Cidade de Vancouver e o Cidade de Montreal no bairro Ilhas do Sul.

João Marcelo de Andrade Barros, sócio e Diretor da Habiarte – Divulgação

Dessa forma, a expectativa para o ano que vem é, sem dúvida, muito boa, segundo Otair Guimarães, Diretor Comercial da Leste Realty e responsável pelo empreendimento Quinta dos Ventos. Ele afirma que chegou o momento de continuar nesse movimento ascendente, mesmo que não se saiba ao certo em que velocidade esse processo se dará. “Houve um represamento de lançamentos desde 2014 e isso certamente se transformou em oportunidades. O primeiro ponto positivo é um aumento da poupança e mais recursos destinados ao financiamento imobiliário. O segundo é a chegada de dinheiro de grandes fundos para financiamento de obras, o que certamente acontecerá em 2018”.

Otair Guimarães, Diretor Comercial da Leste Realty – Divulgação

A visão positiva para o ano que vem também é defendida por Julio Di Madeo, Gerente Comercial e de Marketing da Construtora Pereira Alvim, que destaca os sinais de grandes melhoras que já apareceram ainda em 2017. “Com juros caindo e as instituições financeiras flexibilizando e liberando créditos para o consumidor, o mercado tende a fortalecer!”.

Julio Di Madeo, Gerente Comercial e de Marketing da Construtora Pereira Alvim – Divulgação

Crescimento organizado
As leis complementares de Uso de Ocupação do Solo, Código de Obras, Ambientais, Sistema Viário e Mobiliário Urbano, que fazem parte do primeiro Plano Diretor de Ribeirão Preto, editado em 1995 (que visa ao ordenamento e o bom crescimento da dinâmica da cidade), revelam lacunas jurídicas, resultando em alguns problemas do setor da construção da cidade. “É possível afirmar que, durante esses últimos 22 anos, o crescimento de Ribeirão Preto pode contar com os empresários da construção civil, que notadamente, de forma proativa e competente, vêm atendendo uma importante demanda do mercado mesmo com as imperfeições nas legislações e consideráveis deficiências na gestão pública municipal”, afirma o engenheiro José Batista Ferreira, Diretor Regional do SindusCon-SP.
Pensando em um crescimento mais ordenado, o SindusCon-SP, juntamente com empresários da construção civil e outras quatro entidades, abriu um manifesto público ao Executivo e Legislativo de Ribeirão Preto para que um novo Plano Diretor, bem mais simples e conceitual, seja aprovado até o fim do ano. Esse novo Plano é apenas um norteador. O crescimento da cidade estará definido nas 11 leis completares que deverão ser elaboradas e aprovadas até um ano após o Plano. A expectativa dos empresários da construção é que a cidade, daqui para frente, cresça observando todas as infraestruturas do saneamento básico necessárias para um bom crescimento. “Assim, as empresas terão melhor segurança para investir e, certamente, não restarão passivos para o município. Crescemos até aqui sem planejamento integrado, porém é preciso parar e pensar para que a cidade possa crescer de forma correta”, ressalta Batista.

Da Redação

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