Ribeirão-pretano decidiu doar seu tempo, força e motivação para transformar e melhorar a vida dos moradores de uma favela no meio da África

Quando finalmente conseguiu tirar férias, após anos de trabalho contínuo, o project manager Luís Fernando Dias Batista abriu mão do tão sonhado descanso para ajudar outras pessoas. Assim, ele atravessou o Atlântico e desembarcou em Nairóbi, capital do Quênia, onde passou um mês trabalhando como voluntário. “Escolhi a África para entender e vivenciar se a imagem miserável que o mundo passa sobre o continente é real. Descobri que a miséria é sim uma realidade triste, difícil de mudar e impossível de entender caso não se abra a isso”, explica.

Os desafios enfrentados por Batista não ficaram restritos à adaptação, já que ele também precisou aprender novos ofícios, completamente diferentes daqueles desempenhados no Brasil. O voluntário foi designado para atuar no laboratório do hospital comunitário de Mukuru, uma favela local, auxiliando na análise de secreções humanas para identificação de doenças como HIV, tuberculose e malária, além de realizar exames de gravidez, e medição e pesagem de bebês recém-nascidos. “Eu sou formado em administração de empresa. Jamais me passou pela cabeça trabalhar em um hospital. Eu conhecia pessoas com tuberculose e HIV todos os dias e tinha que dar a notícia a elas. Foi extremamente chocante e impactante”, lembra.

Tudo isso só no período da manhã. Depois de sair do hospital, Luís Fernando e outros voluntários seguiam para uma escola de Mukuru, na qual davam aulas de português, ministradas em inglês, das 13h às 16h. O local não contava nem com energia elétrica e, por isso, eles organizaram uma arrecadação de fundos que possibilitou a compra de lâmpadas de luz solar e latas de tinta branca para melhorar a iluminação. “Na última semana, um amigo egípcio e uma amiga portuguesa se juntaram a mim e demos aulas de filosofia, a fim de mostrar bons valores, advertir sobre maus comportamentos e motivar os alunos a desafiar o sistema e vencer”.
A única refeição do grupo entre os 2 turnos de trabalho ficava por conta de bolachas ou do Chapati (massa típica que custava 10 centavos) – uma vez que os moradores da favela não tinham dinheiro para almoçar, os voluntários também ficavam sem a refeição.

Os ensinamentos difundidos pelos professores não tiveram efeito apenas sobre os alunos, já que, segundo o project manager, ele aprendeu muito mais lições do que imaginava ser possível. Conhecer sobre a história, a cultura e as razões da miséria africana fez Luís Fernando descobrir o real significado da pobreza e, apesar da realidade cruel e chocante, ter uma experiência engrandecedora. “Aprendi na favela a ser discriminado por ser branco e gringo (“muzungu”, eles falam). Aprendi a ser exaltado exatamente pela mesma situação. Aprendi que a miséria existe e é muito pior do que qualquer filmagem ou foto irá mostrar. Aprendi a ser herói para as criancinhas que pediam a todo momento um cumprimento ou uma embaixadinha com a bola que tinha caído no esgoto. Aprendi a dar valor a todas as refeições. Também cresci muito vivenciando cada problema de cada pessoa que ali estava e descobri como é contribuir para a melhoria, mesmo que de uma minúscula parcela, de uma cidade”, finaliza o voluntário.

POR AMANDA PIOLI – FOTOS ARQUIVO PESSOAL

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