Utilizando técnicas de artes circenses e teatrais, jovens se transformam em palhaços para levar diversão a lugares em que a tristeza tenta dominar

Para muitos, eles são apenas personagens de circo. Para outros, são atrações infantis. Alguns até os temem. Mas nada disso os definem. A verdade é que palhaços são uma arte secular, com a qual atores exteriorizam a parte mais inocente e ridícula do ser humano com o objetivo de provocar risadas e sorrisos – ou seja, ser fonte de alegria.

Tendo consciência do poder transformador que esses personagens caracterizados com roupas e maquiagem marcantes podem causar, um grupo de jovens decidiu levá-los para dentro dos hospitais, lugares normalmente associados a dor e tristeza. “Descobrimos uma fórmula nada mágica que tem o poder de transformar (por alguns instantes, pelo menos) não o hospital, mas a vida dos seus “habitantes”. Foi pensando neles que resolvemos levar uma mistura de bom humor, amor e um grande nariz vermelho”, conta Pérsio Pereira da Silva, diretor do grupo e responsável por dar vida ao Doutor Peteleco. Assim nasceu, em 2008, o Expresso Riso e o projeto “Em busca do riso perdido”, nos quais palhaços fingem ser médicos para driblar a segurança e divertir os pacientes arrancando sorrisos. “Eles têm comprovadamente um parafuso a menos, mas um grande coração”.

Composto também pelos doutores Polenta, Katrina, Batatinha e Thilin, os jovens, divididos em duplas ou trios, visitam semanalmente 3 hospitais de Ribeirão Preto (Beneficência Portuguesa, Santa Casa de Misericórdia e Hospital das Clínicas) alegrando pacientes e visitantes por meio de técnicas circenses e teatrais. “O palhaço é algo diferente na rotina do hospital. Então o adulto volta a ser criança, enquanto a criança entra em um mundo de ilusão. Esse tratamento é recomendado pelos nossos doutores para crianças de 0 a 120 anos, sem contraindicação”. Dessa forma, esses médicos formados em “medicina besterológica” buscam melhorar o estado emocional dos pacientes, ajudando na recuperação e humanizando o ambiente 
hospitalar.

Com o tempo, o projeto se expandiu, passando a ser formado por 4 frentes: “Doutor palhaço”, em hospitais, “Fazendo arte com graça”, nas igrejas, “Meia lona”, com peças em lugares públicos, e “Pedabobo”, no qual os palhaços vão às escolas ensinar por meio da arte. Eles ainda visitam lar de idosos e empresas privadas, e chegam a outras cidades, como São Paulo, Pirangi, Sertãozinho e Pontal. “Nosso trabalho é eficaz porque promove cultura e saúde. Ele age de forma especial na parte emocional promovendo sensação de bem-estar e alívio da dor. Nos demais lugares, trabalhamos princípios e valores do ser humano!”, explica Pérsio

O sucesso e expansão do Expresso riso, que se mantém com patrocínio, doações e eventos beneficentes, também foi viável graças à participação de voluntários – 150 estão ativos atualmente –, que passam por um curso de capacitação antes de começar as visitas. “Para nós o voluntário não deve doar seu tempo, mas o seu coração. Juntamente com isso, ele deve agregar seus recursos e talento. Ser voluntário é amar o próximo e valorizar o ser humano e a vida”. 

Por Amanda Pioli – Fotos divulgação

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