Para que nosso leitor possa se aprimorar na arte da degustação, sugerimos o método Giancarlo Bossi, muito didático e adotado pela Associação Brasileira de Sommeliers

Vou descrever, tópico por tópico, a ficha de degustação criada pelo enólogo italiano, mas, antes, é bom lembrar que profissionais utilizam métodos bem mais simplificados, os quais, muitas vezes, não utilizam nenhum tipo de anotação.

Ficha de avaliação Giancarlo Bossi:

Exame visual
(16 pontos possíveis)
Aqui será analisada a limpidez do vinho. Sendo assim, procure substâncias em suspensão e veja se o líquido está limpo. Mas o que é um vinho limpo? Analise seu brilho, por exemplo. Os vinhos brilhantes seriam os grandes rótulos, que chamam a atenção pela alta limpidez. Já um vinho límpido seria um Porto sem decantar, por exemplo. Os vinhos velados e turvos são aqueles defeituosos, que não são recomendados para consumo.

Exame olfativo
(24 pontos possíveis)
Procure sentir os aromas do vinho logo que for servido, antes de examinar a cor. Você sentirá aromas muito voláteis e efêmeros, que não serão mais sentidos ao longo da degustação. Aromas como sulfa, cacau e café, às vezes, aparecem apenas no início da degustação. Na qualidade, observe a variedade e a originalidade dos aromas. Na intensidade, verifique o ataque aromático da bebida – a quantidade de aroma. Na persistência, avalie por quanto tempo a intensidade se mantém. Um método é contar o tempo que leva para o aroma se dissipar depois de inspirado – 10 segundos representam um vinho de boa persistência.

Exame gustativo
(60 pontos possíveis)
Finalmente, coloque o vinho na boca, sem engolir. Fazendo um biquinho, deixe entrar ar. Com isso, o vinho se volatizará de forma mais intensa. Nesse processo sentiremos:
• Açúcares: na ponta da língua. A maioria dos vinhos finos são secos. Suaves e meio doces são aqueles que contêm alguma doçura. Doces seriam os vinhos de sobremesa, como os Sauternes, Portos;
• Acidez: é analisada por meio da salivação provocada no final da boca, nos cantos próximos ao fim do maxilar. Mole seria um vinho carente de acidez e áspero, um vinho com excesso dela;
• Álcool: é a sensação de calor, queimação e pungência na língua;
• Maciez: sensação de redondeza que o vinho provoca. Carente seria o vinagre e pastoso, um xarope;
• Corpo: é o extrato seco do vinho, verificado na textura e consistência;
• Tanicidade: sensação de secura e aridez na língua (o oposto da acidez). Aqui, verificamos o equilíbrio dos vinhos comparando o nível dos fatores reconhecidos anteriormente, como açúcares, acidez, álcool…

Por Alejandro Blanco 

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